Quantas vezes damos por nós a confiar nos outros uma responsabilidade que é nossa e apenas nossa? Quantas vezes colocamos nas mãos dos outros a nossa vida e o nosso destino, por acharmos que o que dizem, pensam, é mais forte e mais válido que as nossas próprias ideias? Deparo-me hoje em dia com pessoas cada vez mais inseguras, que vivem um ritmo de vida cada vez mais alucinante, e que procuram cada vez mais corresponder a necessidades externas, a pressões profissionais, ou até daquilo que a sociedade espera que façam, do que a elas mesmas. Procuram um horizonte que os outros conseguem ver, e não aquele que elas mesmas conseguem alcançar. Pois bem. Eu digo basta! Basta em relação à preocupação de seguirmos os ideais que são de outros, não nossos! Basta em relação à nossa grande vontade de agradar os outros, deixando de lado o que nós realmente queremos e acreditamos! Basta em relação ao conformismo mediano do dia a dia que nos leva a ter vidas medíocres! Basta em relação à tentação de esperarmos resultados diferentes ao termos sempre e sempre as mesmas atitudes! Basta ao conformarmo-nos com relações amorosas amorfas se não nos fazem sentir com a intensidade que nos carateriza! Basta ao deixarmo nos levar por uma profissão que não nos realiza, pelo conformismo de ter sido aquilo que alcançamos um dia! Basta ao dedicarmo-nos a amigos que não correspondem com a mesma reciprocidade, apenas porque são aquelas pessoas com quem nos habituamos a relacionarmos desde sempre! Basta! Vivamos uma história que queremos construir. A nossa história. Não a de outros! Seguir o nosso coração faz-nos alcançar as maiores verdades. Ninguém mais que nós sabe o que é realmente importante. Olharmos para dentro de nós, faz-nos descobrir o maior tesouro que há na vida: a nossa essência. "Fecha os olhos, e conseguirás descobrir aquilo que nunca conseguiste ver." Deixemos de procurar nos outros, aquilo que é nosso e apenas nosso. Onde está o nosso coração, está de facto a nossa maior verdade. Tenham um ótimo dia.
Chegou
a Páscoa. É uma das festas que mais gosto pela sua energia e pelo que me
transmite.
Para
mim, é sem dúvida o momento de excelência no ano em que deveríamos encontrar tempo para refletir sobre a nossa vida.
Religiões
à parte e seu significado, é uma fase indissociável do seu simbolismo. Talvez
não nos demos ao trabalho de pensar, Páscoa é renascimento e transformação.
De
facto, depois da morte, depois do pior cenário, depois das fases mais cinzentas
na nossa vida, temos sempre a oportunidade de recomeçar, de reconstruir, de
seguir em frente.
Não
há ninguém no mundo que de vez em quando não seja obrigado a contornar
obstáculos e a repensar a sua posição no mundo. A vida é feita de antíteses. Só
sabemos do valor das coisas fabulosas porque em alguns momentos vivemos coisas
assombrosas. Só damos valor ao sorriso, porque um dia soubemos o que era a
tristeza. Tal como temos em nós que a cada 24 horas a noite se vai embora, para
dar lugar ao dia.
E é
assim, que a melhor dádiva e o melhor dos sentimentos é a paz e a esperança. A
meu ver, um manto que nos cobre, nos protege e nos dá alento para continuar as
caminhadas mais difíceis. E forra o nosso coração de paz e de alento.
Esta
altura do ano leva-me sempre a pensar que em qualquer adversidade, temos sempre
uma nova hipótese de começar de novo.
Aproveitemos
então para refletir e pensar o que queremos matar em nós. Para que amanhã,
quando a lua se puser e der lugar a um novo amanhecer, acordemos com uma nova
vida, com um novo comportamento, um novo respirar, que nos leve para além do
dia de hoje, e nos torne mais felizes. Como os coelhinhos que saem das suas tocas, e vivem felizes na floresta aproveitando cada dia de sol da Primavera.
Todos
os dias quando saio de casa tenho um manto de flores cor-de-rosa a cobrir o
chão por onde passo tal e qual uma passadeira de flores, que pinta a praça onde
moro e a deixa com um perfume muito Primaveril. Que coisa boa!Não
há forma de ficar aborrecida, e penso para mim em tal milagre da natureza, como
que se ela me quisesse sempre cumprimentar com um bom dia alegre e carinhoso. E
tudo isto me inunda a alma, e me faz pensar que são os pequenos pormenores que
fazem de facto a diferença. Acredito
que a cada dia que passa, quaisquer que sejam as nossas rotinas, o nosso
trabalho, as pessoas com quem nos cruzamos, as obrigações que tenhamos que
cumprir, somos sempre bafejados por pormenores mágicos e extraordinários que
fazem a diferença e nos dão alento. Basta que estejamos atentos a eles. Será
que estamos? No
nosso dia-a-dia, cada vez mais, somos invadidos por inúmeras pressões externas,
pelo stress do quotidiano, por chatices e aborrecimentos que nos condicionam e
que fazem com que pensemos muitas vezes o quão fartos estamos das nossas
rotinas. É, de facto viver todos os dias cansa. Isto, faz com que vivamos apressados,
e com que os dias passem por nós sem que demos por isso. E quando damos por
nós, já se passaram semanas desde que estivemos com aquele nosso grande amigo
com o qual ficamos de combinar estar para falar sobre a vida e partilhar alguns
bons momentos. É, os dias passam e não pensamos em nós, no que desejamos, e no
quão é bom viver, sentir e apreciar as coisas mais simples. Já Oscar
Wilde disse um dia que Viver é o que há de mais raro. A maior parte das pessoas
apenas existe. E eu concordo com ele. Somos quase sempre autómatos que reagem à
vida e às circunstancias que a compõe de forma quase que instantânea. E há
tanta coisa boa que podemos ver, cheirar, ouvir, saborear, tocar. São cinco os
sentidos que temos, e muitas vezes nem sequer utilizamos nenhum deles. Pomos de
parte as sensações e agimos como seres nem sequer racionais, empurrados apenas
pelo que sabemos que temos de fazer, obrigações que nos arrastam dia após dia. Será
que já paramos para respirar profundamente e sentir o calor da lua que ilumina,
não só hoje, mas todas as noites, os nossos sonhos? E hoje
ela está tão bonita… Será
que algum dia paramos o carro apenas para sentir o cheiro e observar o
movimento das árvores que decoram o caminho que fazemos, como que uma dança
suave e ritmada ao som do vento? Será
que algum dia fechamos os olhos, e sentimos a brisa destes dias que nos acaricia
cada manhã com sabor a neblina e a dias alegres de Primavera? Será
que alguma vez pensamos que as flores são a forma que o universo encontrou de
dar cor as ruas e nos mostrar que há milagres até nas coisas mais simples? Quando
soubermos viver em toda a plenitude, quando sentirmos com todo o nosso coração
todos estes pequenos pormenores mágicos, quando reconhecermos que somos os
comandantes de um barco que é a nossa vida e que a podemos levar justamente
aonde queremos ir e sentirmos o que quisermos sentir, quando pararmos e
descobrirmos em nós todas as nossas capacidades e dons mais profundos que nos
caracterizam, quando reconhecermos que de facto somos os criadores do nosso
próprio destino, talvez aí sim, escrevamos uma história bonita e que vai valer
a pena ler quando chegarmos ao fim dos nossos dias. E talvez aí, sejamos como que um criança que sopra e faz bolinhas de sabão. E que fica a observa-las a voar até caírem no chão, e com a mesma alegria que fez umas, volta a fazer outras, e e vê-las voar e desaparecerem no ar. Talvez
com isto, a nossa vida seja mais alegre. Talvez assim, demos por nós a
agradecer o quão é bom viver, nem que seja apenas para poder sentir todos estes
pormenores. Vale
a pena pensar nisto.
É. Não
sei quem és, onde estás, nem para onde vais. Só sei que és especial. Talvez não
sejas ninguém, ou muitos alguéns. Quem sabe se és eu mesma nos dias mais
nublados. Ou alguém que nunca existiu mas que faz e fará para sempre parte de
mim. Sei que existes. Que estás aí. Por isso te escrevo.
Quando
penso na vida, e em todos os desafios que ela me propõe, sinto-me lançada no
infinito. Viver é isto mesmo: ser lançada constantemente a cinco mil metros da
altura sem paraquedas, e viver emoções constantes à flor da pele, tais como
trovões que perfuram o mar em dias de tempestade.
É noite
alta e não consigo dormir. Talvez a vida seja assim mesmo. Nem todos os dias são
de vida. Nem todas as noites são de sonhos. Mas quero dizer-te, a ti, que um
dia estiveste nos meus sonhos mais profundos, que por mais escura que seja a
noite, ela culmina sempre com o nascer do dia. E por mais negro que seja o
luar, as estrelas estão sempre lá, a brilhar e a iluminar os sonhos daqueles
que as conseguem ver. E eu vejo. São tão bonitas!
Quero
dizer-te que há muita coisa que vale a pena. Que há sempre pessoas que nos
inspiram e fazem ser melhores. Que há abraços tão quentes que nos aquecem a
alma e enchem de luz até os corações mais frios e sombrios. Que há beijos tão
doces que nos deixam em ponto de rebuçado. Que há príncipes com aspeto de
homens e nos fazem muito felizes, e homens com aspeto de príncipes e que são
sapos.
Quero
dizer-te que que o céu tem nuvens de algodão como aquelas que me irias
perguntar se existem, e que se transformam em gotinhas de chuva, e em novas
vidas sempre que caem no chão. De facto, tudo se transforma.
Quero
que saibas que serás tudo o que desejares, como desejares, e que por muito que
a vida passe e nos transforme, serás sempre tu. Porque há coisas que nunca mudam.
E mudarás para todo o sempre as pessoas que um dia passam por ti. E a vida,
essa, não muda para quem precisa. Porque precisar, isso precisamos todos. Mas sim
para quem quer, e quer muito. Quero que saibas que a coragem pertence a quem se
atreve e tem o risco de lutar pelos seus sonhos, e que se eles (os sonhos)
estão nas nuvens de algodão, é muito simples. Basta criares os alicerces da
escada que te leva até lá.
Quero
dizer-te que as fadinhas existem materializadas em seres humanos tão especiais
que nos tocam a alma, sem nos pedir licença, e que nos dizem para ficar, quando
mais nos apetece partir.
E é
isto, quero dizer-te que sim, por vezes há dias tristes que nos lavam a cara
com lágrimas que se soltam, não sei se da cabeça, se do coração. E que tal como
as fadinhas existem, sei que há anjos na terra que voam até nós e nos agarram a
tristeza e a dor, e a levam para um lugar que não sei bem onde é, mas também
não quero descobrir, não vá essas coisas me apanharem e quererem voltar comigo
outra vez.
Quero
dizer-te que às vezes temos de partir, mesmo quando nos apetece ficar. Que a
vida não tem mapas de viagem iguais àqueles que podemos comprar para as férias
e nos dizem para onde ir. E que mesmo assim, de vez em quando, é delicioso
fechar os olhos e não saber que caminho seguir. É, às vezes é bom assim. O melhor
mapa que temos, é mesmo o coração. Dá-nos todas as respostas que precisamos. Será
que sabias?
Quero
que saibas que o valor das coisas é muito relativo. Há coisas que significam
tanto, que não têm preço algum. E outras, que por serem nada, têm o valor de
tudo. É, a vida não é simples, mas pode ser descomplicada, se assim desejares. Será
que queres?
E o
que te digo pode ser muito, e pode ser nada. Porque ouvir não é a mesma coisa
que escutar. E tudo depende da energia que colocas quando me lês. Talvez sejam
estas, coisas muito valiosas que a mim nunca me ensinaram. Nem às outras pessoas,
porque não há manuais que nos ensinem a viver. Mas se existissem, teriam
servido de bússola para me orientar na vida e nunca perder o Norte. Sabes, às vezes
também o perco.
Deixa-me
que te diga, por muito que escreva e te diga aquilo que aprendi até hoje, que o
caminho se faz caminhando. E tu nunca saberás o que eu sei. E só saberás alguma
coisa se te levantares do sítio onde estiveres e percorras o caminho que eu
fiz. Não este. Mas o teu. Porque o percurso muda sempre, quando muda o
caminhante.
Sabes,
ninguém me disse que a vida era fácil, apenas sinto que pode valer muito a
pena.
Talvez
seja por isso que todos os dias quando acordo, me lembro de ti, abraço o mundo,
e agradeço tudo o que tenho. E prometo a mim mesma, que esse é o dia em que vou
ser feliz! Porque esse dia, é o dia em que posso mudar tudo o que estiver menos
bem, agarrar em mim e pegar nas peças soltas que fui apanhando no mar da vida, tal
como estas que te vou deixando, e construir a história mais bonita que vivi até
hoje. Com príncipes, fadinhas e anjos, tudo como eu gosto. Gosto muito sabes?
E sabes
que resulta? Onde
quer que estejas, o que quer que faças, o que quer que signifiques, basta que
existas em mim, para seres real. E sabes porquê? Porque nós somos do tamanho
dos nossos sonhos, e eu tenho em mim todos os sonhos do mundo, como dizia o
Poeta. E é quando penso em ti e no que sinto quando me lembro de nós, que vejo
um balão de ar quente que sobe, sobre, sobe, no ar, alimentado por tudo aquilo
que lhe dou. Porque a melhor energia do mundo, é aquela que faz subir balõezinhos
como o nosso. Sabes qual é?
É o
amor.
E é
graças a este amor que me mantenho aqui até hoje, a acreditar que um dia destes
nos vamos encontrar, voltar a casa, e viver tudo aquilo que não nos foi possível.
FM
Além do Arco Iris. Música de Inspiração do momento.