sábado, 19 de abril de 2014

Sentir com todos os sentidos





Todos os dias quando saio de casa tenho um manto de flores cor-de-rosa a cobrir o chão por onde passo tal e qual uma passadeira de flores, que pinta a praça onde moro e a deixa com um perfume muito Primaveril. Que coisa boa!Não há forma de ficar aborrecida, e penso para mim em tal milagre da natureza, como que se ela me quisesse sempre cumprimentar com um bom dia alegre e carinhoso.
E tudo isto me inunda a alma, e me faz pensar que são os pequenos pormenores que fazem de facto a diferença. 
Acredito que a cada dia que passa, quaisquer que sejam as nossas rotinas, o nosso trabalho, as pessoas com quem nos cruzamos, as obrigações que tenhamos que cumprir, somos sempre bafejados por pormenores mágicos e extraordinários que fazem a diferença e nos dão alento. Basta que estejamos atentos a eles.
Será que estamos?
No nosso dia-a-dia, cada vez mais, somos invadidos por inúmeras pressões externas, pelo stress do quotidiano, por chatices e aborrecimentos que nos condicionam e que fazem com que pensemos muitas vezes o quão fartos estamos das nossas rotinas. É, de facto viver todos os dias cansa. Isto, faz com que vivamos apressados, e com que os dias passem por nós sem que demos por isso. E quando damos por nós, já se passaram semanas desde que estivemos com aquele nosso grande amigo com o qual ficamos de combinar estar para falar sobre a vida e partilhar alguns bons momentos. 
É, os dias passam e não pensamos em nós, no que desejamos, e no quão é bom viver, sentir e apreciar as coisas mais simples. Já Oscar Wilde disse um dia que Viver é o que há de mais raro. A maior parte das pessoas apenas existe. E eu concordo com ele. 
Somos quase sempre autómatos que reagem à vida e às circunstancias que a compõe de forma quase que instantânea. E há tanta coisa boa que podemos ver, cheirar, ouvir, saborear, tocar. São cinco os sentidos que temos, e muitas vezes nem sequer utilizamos nenhum deles. Pomos de parte as sensações e agimos como seres nem sequer racionais, empurrados apenas pelo que sabemos que temos de fazer, obrigações que nos arrastam dia após dia. 
Será que já paramos para respirar profundamente e sentir o calor da lua que ilumina, não só hoje, mas todas as noites, os nossos sonhos? E hoje ela está tão bonita…
Será que algum dia paramos o carro apenas para sentir o cheiro e observar o movimento das árvores que decoram o caminho que fazemos, como que uma dança suave e ritmada ao som do vento?
Será que algum dia fechamos os olhos, e sentimos a brisa destes dias que nos acaricia cada manhã com sabor a neblina e a dias alegres de Primavera?
Será que alguma vez pensamos que as flores são a forma que o universo encontrou de dar cor as ruas e nos mostrar que há milagres até nas coisas mais simples? 
Quando soubermos viver em toda a plenitude, quando sentirmos com todo o nosso coração todos estes pequenos pormenores mágicos, quando reconhecermos que somos os comandantes de um barco que é a nossa vida e que a podemos levar justamente aonde queremos ir e sentirmos o que quisermos sentir, quando pararmos e descobrirmos em nós todas as nossas capacidades e dons mais profundos que nos caracterizam, quando reconhecermos que de facto somos os criadores do nosso próprio destino, talvez aí sim, escrevamos uma história bonita e que vai valer a pena ler quando chegarmos ao fim dos nossos dias. E talvez aí, sejamos como que um criança que sopra e faz bolinhas de sabão. E que fica a observa-las a voar até caírem no chão, e com a mesma alegria que fez umas, volta a fazer outras, e e vê-las voar e desaparecerem no ar. 
Talvez com isto, a nossa vida seja mais alegre. 
Talvez assim, demos por nós a agradecer o quão é bom viver, nem que seja apenas para poder sentir todos estes pormenores. 

Vale a pena pensar nisto. 

FM

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