sábado, 26 de outubro de 2024

O início

Hoje apetece-me falar de mim.

Há quem diga que falar sobre nós é o que há de mais dificil. Talvez porque, ao descrever quem somos, somos obrigados a encarar as nossas próprias contradições, inseguranças, e desejos secretos. É como que segurar um espelho, que insiste em refletir tanto o que amamos, quanto aquilo que tentamos esconder.
Olhar para nós, torna-se como que uma jornada para dentro - para lugares onde só nós conhecemos o caminho, e ainda assim nos perdemos. Não é assim que acontece com todos nós?

 "Conhece-te a ti próprio, e assim conhecerás o mundo." 

A jornada do autoconhecimento é aquela que mais assusta, mas ao mesmo tempo, é a mais enriquecedora.  Talvez seja por isso mesmo que a maior parte das pessoas prefere viver focada nos estímulos exteriores, na rotina do dia a dia, onde é mais fácil perder-se em ocupações e expectativas alheias, do que enfrentar a sua própria complexidade, os seus desejos, e olhar para aquilo que lhe faz sentido e a faz feliz. No fundo, encarar quem somos e o que queremos pode ser realmente assustador. É  uma experiência que exige coragem, e a tenacidade de afastar todas as máscaras que pintam o dia a dia de ilusões. Talvez seja por existo que viver seja o que há de mais raro. A maioria apenas existe. Segue ocupada, mergulhada nas expectativas e demandas do mundo, e das pessoas que as rodeiam. Vive como que à superfície, e esquece-se que é nas profundezas de quem somos, que encontramos sentido, propósito e paz. Seja numa relação que morreu, num trabalho que a aprisiona, em amizades por conveniência, dando dias, à vida, em vez de dar vida aos dias.
Também eu fui assim um dia, distraída pelos estímulos do mundo, buscando  em cada conquista uma validação que só o meu coração me podia oferecer. Ancorada ao que os outros queriam que eu fosse. Com medo, do que a mudança me pudesse proporcionar, porque entendia que era mais fácil sucumbir ao marasmo do dia a dia, do que ao medo do que a mudança me pudesse proporcionar. O tamanho do meu medo, era proporcional à minha dor. Até que a vida me empurrou e lançou-me para o abismo, sabendo que no fundo eu tinha asas para voar. E assim, recomecei.

Somos aquilo que vivemos...

Hoje, paro e olho para tudo o que vivi até hoje e sei que cada traço, cada ruga, cada suspiro, tem um pedaço de cada desafio enfrentado, de cada sorriso compartilhado, de toda a tristeza escondida. Cada história que vivi ensinou-me algo novo. E apesar de, como todos nós, adorar momentos de celebração e de conquista, sei que foi e é em cada dor que me superei, que me transformei e que me tornei num ser humano mais empático, mais tranquilo, mais confiante, mais amoroso, mais positivo.
Carrego as cicatrizes e as memórias que me moldam, e, embora o caminho nem sempre tenha sido fácil, vejo beleza em cada curva, em cada mudança inesperada. E tenho a certeza que comigo caminham todas as pessoas com quem me cruzei, todos os amigos de quem me afastei, todos os familiares que sucumbiram. "Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo poderia ser meu para sempre."
Hoje acredito profundamente, que a vida coloca no nosso caminho aquilo que precisamos de viver, todas as pessoas que precisamos de conhecer, todos os desafios que precisamos de ultrapassar, mesmo que às vezes não nos faça sentido no momento. Quando aceitamos o que acontece e confiamos no universo, entregamo-nos à vida, e estou certa que encontramos a paz, vivemos mais conectadas connosco, e com o que a vida tem para nos dar. 

Hoje, carrego comigo uma fé serena de que estou exatamente onde preciso estar. Tenho por perto exatamente quem tem de estar. E apesar de nem sempre ter dias fáceis, vivo cheia de fé, em mim, na vida, nos sonhos que ainda tenho para viver. E estou certa que qualquer que seja o caminho, ele me fará estar sempre onde tudo fará sentido. E assim sei que sou luz, sou paz, sou fé. Transparente, determinada, e entusiasta. Romântica, Sonhadora e apaixonada pelas pessoas, pela vida, pela natureza. Sigo o que o meu coração me diz. Vivo de verdade, de entrega, de sentimentos à flor da pele, porque acredito que é disto que são feitas as melhores relações. E assim sigo, fiel a mim mesma, e aos meus princípios.

Este blog é o inicio de um sonho, que materializa em palavras a minha história de vida, o meu percurso. Um espaço partilho o que me vai no coração, as minhas emoções, procuro que através das palavras que deixo, que encontres um pouco de ti, e leves um pouco de mim. E nesta metamorfose de sentimentos, te inspires na minha jornada, com o coração aberto. Porque na essência, somos todos iguais.




Com amor, Fábia



sexta-feira, 16 de agosto de 2024

 Agosto, mês de Acasos e Ocasos!



De pé em frente à porta do meu pequeno terraço, a beber um copo de água para matar a sede que invade o meu corpo, e a minha alma, olhando o céu limpo e coberto de pequenas estrelas bem cintilantes, dou por mim a sentir uma enorme vontade de voltar a escrever. 

Não deixa de ser curioso, que é quando mal sinto, que dou por mim a abrir o computador e a entrar no Blog que iniciei há dez anos, em Agosto. Dez anos separam o primeiro texto que escrevi, e estas palavras que nutro agora. Dou por mim a ler e a recordar as inúmeras mensagens que partilhei, com pensamentos do coração e que brotaram de mim, à flor da pele... 

A essência de que sou feita é a mesma. Eu, não. A minha vulnerabilidade. As minhas emoções. A minha fé. O amor que nutro pela vida. São sem dúvida hoje a minha Força. Mas nada, nada é o mesmo. Porque estes dez anos que separam fizeram com que continuasse a mergulhar em mim, e a entregar-me sem rede aos meus desejos, assumindo a responsabilidade de cada um deles.

Estamos em Agosto, e curiosidade, ou talvez não, foi em Agosto que também escrevi o último texto, já lá vão nove anos.

Quem me conhece sabe que tenho uma visão holística da vida, e que não acredito em coincidências. Nada acontece por acaso. Somos o que vibramos. Somos o que pensamos. Somos a fé que abraçamos. Talvez seja por isso que foi exatamente há um ano, em Agosto, que morri, e nasci de novo, após exatamente 40 anos de existência. Exatamente em Agosto.

Morri quando deixei para traz a mulher que fui, a dor que carregava, os sonhos desfeitos, o olhar baço, o corpo magro, doente e desnutrido, de sabor e de amor.

Nasci quando me levantei, deixei tudo para traz, e acordei cheia de esperança, de sonhos, de fé, de amor, de alegria, de uma força brutal, que me guia e me move até hoje!

E quando me perguntam de onde é que vem a luz que me ilumina, o sorriso com que presenteio todos os que me rodeiam, o brilho que emana do meu olhar, eu digo que vem do amor que carrego no peito, das responsabilidades que assumi, de todos os livros que li, de todas as pessoas que amei, de todas as dores que carreguei.

Muito me orgulha de, a partir de hoje, começar a (trans)crever novamente. Para poder inspirar todos e todas aquelas que me queiram seguir, até ao por do sol <3

Com amor, Fábia