O cinzento que pinta o céu num
dia como o de hoje, o primeiro sábado de Primavera, faz com que viaje até a um
dos temas mais misteriosos da natureza humana, para mim, as relações.
Dou por mim a pensar em algo que
muitas vezes me perguntam: O que é que nos faz gostar desta ou daquela pessoa? Porque
é que por vezes sentimos ligações inexplicáveis a pessoas que conhecemos há
minutos, e nos sentimos distantes de outras que já conhecemos há anos?
Se fosse a falar sobre isto,
provavelmente não sairia daqui, ou talvez saísse, mas ainda com mais dúvidas,
como se começasse a andar ás voltas e voltas e não conseguisse chegar a lugar algum.
Tal e qual como uma aranha, presa na teia que ela própria construiu.
Falar sobre as ligações que
existem entre as pessoas, é entrar num Universo mágico, que muda de relação
para relação, de pessoa para pessoa. Para mim há um ADN único em cada relação,
que a torna pessoal e intransmissível. E por muitas pessoas com quem nos
encontremos na vida, nunca somos iguais com duas pessoas diferentes. É o ADN
relacional que nos faz mudar e ainda bem. Que monotonia seria se fossemos
sempre os mesmos!
Existem de facto fios invisíveis
que conetam aqueles que estão destinados a se encontrar. Não penso na vida como
um destino trágico, mas antes como uma construção celestial, do qual temos
parte ativa, e somos os autores.
Dizem-me várias vezes que a vida
para mim parece fácil. Acredito que a Mulher que sou hoje é o somatório de
todas as experiências que tive. Boas ou menos boas, todas elas me ajudaram a
definir, a orientar, a sonhar. Hoje estou certa que o meu futuro é fruto das
minhas escolhas, do olhar que coloco em tudo aquilo com que me deparo. E eu escolhi
pintar a minha vida de cores alegres, por isso me sinto tão em paz.
Parece fácil. E sabem que é? Muitas
vezes na minha vida, dei por mim a interrogar-me se aquilo que eu fui vivendo,
era de facto a realidade, se não o resultado de um sonho ou da minha
maravilhosa perspectiva sobre a realidade, mesmo nos piores momentos.
Sonho ou realidade, acredito que
somos os autores da nossa própria história, e que podemos atribuir o final que
desejamos. A diferença está no que pomos de nós na entrega que temos à vida. Se
o nosso lado lunar, se o nosso lado de luz.
Não duvidem, somos feitos de
tudo!
Se sempre tive aquilo que
desejei? Não. E ainda bem.
Sou o somatório daquilo que tive,
daquilo que não recebi. Daquilo que pedi. Daquilo que pensei ser e não era, e
daquilo que fui, e não sabia ser.
Nesta minha caminhada pela vida,
estive algumas vezes apegada a pessoas, coisas, situações, que achava eu ser o
melhor para mim. E sabem porquê? Porque era aquilo a que eu estava habituada. Nós,
seres humanos, temos medo da mudança. Sair da nossa zona de conforto é um mistério
insondável que nos aterroriza e que nos faz muitas vezes ficar em lugares
medíocres, apenas porque não temos a coragem de atravessarmos para o desconhecido.
Foi quando aprendi a aceitar tudo
o que a vida tem para me dar, com a serenidade confiante igual àquela que tive
no dia em que vim ao mundo pela primeira vez, que ganhei este sorriso simples e
sincero, como quem acredita na vida e sabe que ela tem sempre o melhor para oferecer.
Sempre!
Nesta coisa das relações, sei que
o amor não morre num dia. Talvez possamos dar imensas desculpas, enganar-nos a
nós mesmos e criar mil motivos para as coisas darem certo, mas hoje sei que não
adianta lutar por coisas que estão perdidas no hoje. Podem ter sido o nosso
ganho no ontem, mas é no presente que vivemos. Não adianta também vivermos
focados no futuro. O hoje é só o hoje, não aquilo que foi um dia, nem aquilo
que será amanhã.
Ser prisioneiro do apego, achando que amamos
alguém mais do que a nos mesmos, é o maior erro, a mais pura das ilusões e
também aquela que vejo à minha volta com mais frequência. E aquela que
simultaneamente nos faz sofrer mais. Por vezes custa levantarmo-nos quando
caímos depois de nos tirarem o chão, pois não sabemos onde estão as asas que nos permitem
voar. Interrogamo-nos sobre o porquê, de termos de seguir em frente quando a
nossa vida tinha tudo para dar certo de uma determinada maneira, aquela a que
estávamos desde sempre habituados, e que pensamos ser nossa, porque fomos nós
que a construímos.
É isto que de mais mágico tem a
vida, está sempre a surpreender-nos. A reeinventar-nos. A empurrar-nos para a
frente.
Neste processo, muitas vezes
desejei uma varinha mágica que me pudesse fazer voltar atrás no tempo e
regressar áquela fase em que um abraço bem forte, com o cheio do conforto da
minha mãe e que me dizia que tudo estava bem, e tudo ia ficar bem. Pois ficava.
Não tenho varinhas de condão que
me possam fazer voltar atrás no tempo. E hoje já não as desejo. Tenho em mim sim,
que nada na vida acontece por acaso. E que tudo na vida se conjuga para evoluirmos,
para sermos melhores pessoas, e que tal e qual uma lagarta que passa por um
sofrimento muito grande no seu casulo, também nós podemos transformar-nos em borboletas
esvoaçantes, em direção ao cheiro das flores num dia lindo de sol. Porque a
vida pode ser isto, se nos permitirmos voar.
Deixar para trás coisas, pessoas,
circunstâncias, momentos, à primeira vista custa muito. Ou talvez não custe assim
tanto, se nos libertarmos do apego, e tivermos em nós a certeza que muitas outras
portas se abrem quando uma ( aquela mesma que pensamos um dia ser a única) se
fecha, e nos faz voltar em direções que nunca antes imaginamos. Basta estarmos
entregues à vida, e àquilo que ela tem para nos dar.
Vamos seguir em frente?
FM

Cada experiência tem o seu "valor", no seu "momento",,,Acho que, mais do a mudança que em nós pode provocar, é algo em relação ao qual nos podemos desapegar pois acredito que temos um papel ativo na forma como a nossa vivência se desenrola. As experiências marcam, sem dúvida, mas não podem consumir-nos de forma desenfreada e negativa. Acima de tudo, desde que retiremos daí uma moral construtiva acerca do que nos aconteceu, ficamos prontos para seguirmos em frente em busca de novos significados e o que a vida tem de bom para nós :)
ResponderEliminarDo mural FB de uma amiga (Ana Nunes), para ti:
ResponderEliminar"Feche(i) algumas portas. Não por orgulho ou arrogância, mas porque já não levam a lugar nenhum.” (Paulo Coelho)
Somos o resultado de tudo o que vivemos, das histórias que desenhamos, e das portas que fechamos. Ninguém disse que a vida ia ser fácil, mas hoje sei que acima de tudo vale muito a pena. Em frente ou enfrente. O que importa é VIVER!
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