segunda-feira, 24 de março de 2014

Serendipity





Majestosa palavra esta, tal e qual um grito doce que entrou nos meus ouvidos sem eu sequer saber o seu significado. Adoro!
Antes de dissertar sobre o que serendipity quer dizer para mim, deixo um pouco da sua etimologia.
Serendipity é um termo proveniente da língua inglesa e criado pelo escritor britânico Horace Walpole, no seu conto persa infantil Os três príncipes de Serendipe, que relata as aventuras de três príncipes do Ceilão (o atual Sri Lanka). Curiosos e aventureiros, estes príncipes realizaram descobertas inesperadas, cujos resultados não estavam de facto à procura. Resultados extraordinários obtidos através de uma grande capacidade de observação e perspicácia, tendo como consequência a descoberta da solução para desafios impensados. Eram de facto seres humanos especiais, não apenas por terem um dom especial, mas por terem a mente aberta para as múltiplas possibilidades.
E aqui começo a viajar…

Mais do que degustar a sonoridade que encanta os meus ouvidos, sinto o significado da palavra Serendipity e abro a minha mente para a infinidade de escolhas que me deparo todos os dias, logo quando acordo: Levanto-me, escolho como me vou sentir.
Será que sabemos que podemos escolher como nos vamos sentir? Pois bem, é de facto uma escolha nossa. Não digo que posso evitar ter este ou aquele problema, mas posso escolher como me vou sentir em relação a isso que me acontece.
Continuando esta caminhada, decido o que vou vestir, se vermelho, se azul, se calções, se vestido. Penso até qual perfume vou usar: o que faz sentido hoje? Algo mais fresco, ou um cheiro mais intenso? Determino ainda o que vou comer ao pequeno-almoço. Entro no carro, e sinto o que desejo ouvir. Se o rádio, se a mim mesma. E lá continuo o meu caminho para a empresa. É simples mas não simplório. Há neste processo muito de mim. Sou o resultado das escolhas que faço. E tudo aquilo que descubro é o resultado do que quero e da minha atenção aos meus sentidos e à realidade que me rodeia.
Será que já paramos para pensar nisto?
Damos vida aos dias ou deixamos os dias à vida?
Mais do que falar sobre o impacto desta ou daquela escolha, não é isso que importa.
Sinto que na nossa essência, há um mundo gigante de acasos que envolvem o nosso dia-a-dia e que nos transformam, e para o qual temos que estar preparados. Estar preparado é estar atento, é sentir a própria vida, estar conscientes que somos nós que traçamos o nosso caminho. E que fazemos escolhas mediante a nossa vontade. Nossa vontade. Não de outros. Certo?
Sempre gostei de liderar. E quando falo de liderança, não me refiro ao sentido tradicional da palavra, em que alguém comanda alguém. Quero referir-me apenas ao ser eu quem decide a minha própria vida. Ser a fada do meu destino é mais que colocar pozinhos de perlimpimpim e trazer magia às minhas decisões. É saber o que preciso, estar atenta às minhas necessidades, ouvir-me, e questionar o que é importante na minha vida, e só aí, decidir se vou por este e aquele caminho. Pois bem, só assim, é que a vida tem sentido. Ou só assim é que damos sentido aos dias.
Em modo Serendipity, acabo por fazer descobertas afortunadas aparentemente por acaso. Bom assim. Pois os acasos da minha vida são fruto de muito trabalho.
É, meus queridos, ter sorte é o resultado da conjugação de muitos verbos: entregar, dedicar, partilhar, amar, dar, sentir, proporcionar, e dá muito, muito trabalho.
Talvez seja por isso que eu tenho muita sorte na vida.
Trabalhamos nós para a nossa sorte? Ou deixamos nas mãos dos outros uma escolha que é nossa, e apenas nossa? Até porque “o acaso, só favorece a mente preparada (Louis Pasteur).”

FM 




Butterflies begin,
from having been a larva,
As a child is born,
from being in a mother's womb,
But how many times,
have you wished you were some other;
Someone than who you are.

Yet who's to say that if all were uncovered,
You will like what you see;
You can only be you,
as I can only be me.


I can only be me - Eva Cassidy

4 comentários:

  1. Parabéns pelo blog, Fábia!!! Tão tu... :)

    Em homenagem ao título do blog:
    http://youtu.be/MDCzAP5ExuY

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  2. Obrigada minha querida Diana! Pedacinhos de mim... Que também ajudaste a construir em determinada fase da minha vida! Gosto muito de ti :)

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  3. Pois, que faças imensas descobertas nos acasos da vida, mas para as quais estás ciente de interpretar.
    Tens a responsabilidade de assim que aches o que quer que tenhas de achar não o prendas, antes o divulgues, lhe dês serviço e o propagues.

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  4. É isto que dá sentido à vida Vasco. É uma delicia ter alguém como tu, que acompanha e admira este meu processo de auto-descoberta. Estou grata por te ter na minha vida! Um beijinho enorme

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