Existe algo em nós que
não sabemos explicar. Não pode ser materializado, apenas sentido. É como um
combustível da alma, que nos faz ir em direção ao que mais sonhamos, e que nos
permite insistir, persistir e resistir a todas as adversidades, sejam lá elas quais
forem. Há quem chame teimosia. Eu chamo de fé, de esperança. E é uma coisa bem
diferente do estar por estar, do estar por mero capricho e insensatez.
Foi por fé, por
esperança, por acreditar que podíamos ser felizes juntos, com todo o meu
coração, que estive ao teu lado. Amava-te a cada dia, como um compositor ama a
sua melodia.
Fé. Era a fé que me
alimentava a cada manhã, e a cada anoitecer quando me afastavas de ti. E foram
tantas as vezes…
Fé. Quando pronuncio
esta palavra, fico com os meus olhos húmidos. Fico alagada em sorrisos que
perdi ao longo do tempo, porque mos roubaste. E ficarás com eles. Serão para
sempre teus. Pois era por ti que sorria muitas vezes, porque a vida para mim
durante esse tempo não foi fácil. E tu sabes bem porquê. Sim, tu sabes.
Tenho em mim um fio
diretamente ligado da minha boca, ao meu coração e que me faz pensar com amor,
e sentir com amor, e ficar emocionada com pequenas grandes coisas, que me
alimentam e que me conduzem em direção àquilo em que acredito.
E em relação a ti, eu acreditei
tanto, sonhei tanto… tanto tanto, que perdi a conta às vezes em que ficava
parada em frente ao mar, a imaginar o dia em que eu me iria sentir
verdadeiramente tua. Entregue apenas ao sentimento que fui construindo. .
E que apagaste, dizes tu, sem que te desses conta.
E que apagaste, dizes tu, sem que te desses conta.
Será que não deste?
Será que não sabias?
Será que não me vias?
As respostas hoje
tenho-as em mim. São sim e não.
E logo Eu. Que nunca gostei de
indefinições, tu sabes. Melhor saber o que é ou não é do que viver amarrada a
cinzentos e coisas amorfas. Sou assim. Mulher definida e completa em toda a sua
existência. Em tudo o que faço. Em tudo mesmo tudo, mesmo quando me zangava. Lembras-te?
Tu não me vias. Tu não
me lias.
Estavas de tal modo
centrado em ti próprio, tão centrado naquilo que precisavas e desejavas, que te esquecias de mim. Esquecias que eu era uma parte de ti,
porque te fazia feliz, e tu nem sequer paravas para pensar nisso. O brilho que
eu tinha e mantenho ainda hoje apesar de toda a escuridão que me assombrou
desde o dia em que me fui embora, tu admiravas tanto, que precisavas de o ter
em ti, só para ti, e por isso não gostavas quando eu brilhava para os outros.
Eu sei. Sei que o teu medo era proporcional ao amor que tinhas por mim. Assim
como era imenso o labirinto que te fazia perder dentro de ti mesmo, e que te levava para
longe de mim e até para longe de ti mesmo. Perdeste-te na tua imensidão. Nunca foste capaz de ver para além
da tua verdade. Ou da minha. Não sabias que por muita luz que emanasse para os
outros, era por ti que brilhava. Era por ti que existia.
E isto era tão bonito…
Não era um amor qualquer, vulgar, como desses que existem por aí. Era meu. Era teu. E será para todo o sempre nosso.
Não era um amor qualquer, vulgar, como desses que existem por aí. Era meu. Era teu. E será para todo o sempre nosso.
Hoje quando penso em
ti, vejo duas pessoas. Uma que esteve presente, e outra que não sei a cor do
coração nem de que material é feita. Hoje dou por mim a pensar que não te
conheci verdadeiramente. Talvez apenas sentisse a tua sombra. E por isso, me
sentia muitas vezes vazia, enrolada em mim mesma, e sem saber o que fazer para
chegar a ti. Tu não deixavas.
Eras estável na tua instabilidade.
Tiravas-me o chão, para te sentires seguro. Fazias-me perder, para que te encontrasses a ti mesmo. E assim, nos perdiamos os dois. E nunca mais nos encontravamos.
Eras estável na tua instabilidade.
Tiravas-me o chão, para te sentires seguro. Fazias-me perder, para que te encontrasses a ti mesmo. E assim, nos perdiamos os dois. E nunca mais nos encontravamos.
O meu amor por ti foi
intemporal, perene, doce, divertido. O teu por mim era romântico, doido,
exigente, carente. Aproximávamo-nos nas diferenças. Eram estas que nos uniam.
Dia após dia, permanecia
em mim e em nós, mesmo depois de tudo o que acontecia. Agarrada a uma fé que era apenas minha. Hoje sei que tudo fiz foi tudo o que consegui, que não há outra versão de mim melhor para ti. Fiz o melhor que pude, com tudo o que pude, para que me entendesses.
Até que me calei. E quebrei. Gelei.
Até que me calei. E quebrei. Gelei.
Será que tudo muda
assim de um dia para o outro?
Será que tu não te
apercebias do que fazias?
Será que sabes?
Hoje tenho a certeza
que não. Não foi de um dia para o outro. Nós sabemos que não.
Fui morrendo a cada dia que passava. E Tu nada fizeste para me salvar. Porque sempre foste para ti mais importante que Nós. Assim como o resto do mundo era.
Mais importante que Eu, está a imagem que o resto do mundo pode ter sobre ti. Ainda hoje é assim.
Procuras que o mundo te salve, sem que tu te salves a ti mesmo.
E o amor... o amor é mais do que meras palavras que não te cansas de definir de forma vaga. Talvez porque para ti, seja melhor a imensidão da subjetividade, do que a realidade de uma existência real, livre, leve e solta. E vivida.
Porque amor é feito para subsistir para além de nós mesmos. Além de todas as nossas necessidades. Além de todas as palavras. O amor não vive de palavras. Vive de gestos, de atitudes reais e verdadeiras. Se não não é amor.
Por isso me cansei de tentar mostrar e explicar o que o meu coração sentia e vivia, indefinidamente.
Pois as palavras não bastam, quando o que pretendemos dizer transcende a própria realidade a até nós mesmos.
Pois de nada servem as palavras, quando alguém solta os sentidos, e não as quer ouvir.
E é aqui que o silêncio muitas vezes se torna na mais perfeita resposta. Pois nele fica tudo o que não foi dito. Tudo o que sonhamos e esperamos.
Fui morrendo a cada dia que passava. E Tu nada fizeste para me salvar. Porque sempre foste para ti mais importante que Nós. Assim como o resto do mundo era.
Mais importante que Eu, está a imagem que o resto do mundo pode ter sobre ti. Ainda hoje é assim.
Procuras que o mundo te salve, sem que tu te salves a ti mesmo.
E o amor... o amor é mais do que meras palavras que não te cansas de definir de forma vaga. Talvez porque para ti, seja melhor a imensidão da subjetividade, do que a realidade de uma existência real, livre, leve e solta. E vivida.
Porque amor é feito para subsistir para além de nós mesmos. Além de todas as nossas necessidades. Além de todas as palavras. O amor não vive de palavras. Vive de gestos, de atitudes reais e verdadeiras. Se não não é amor.
Por isso me cansei de tentar mostrar e explicar o que o meu coração sentia e vivia, indefinidamente.
Pois as palavras não bastam, quando o que pretendemos dizer transcende a própria realidade a até nós mesmos.
Pois de nada servem as palavras, quando alguém solta os sentidos, e não as quer ouvir.
E é aqui que o silêncio muitas vezes se torna na mais perfeita resposta. Pois nele fica tudo o que não foi dito. Tudo o que sonhamos e esperamos.
Hoje eu sei que às
vezes perdemos a esperança daquilo em que acreditamos dias a fio que pudesse
ser diferente. Porque nunca foi. Porque sonhamos em vão. Porque nos retiraram
tanto quanto o que tínhamos um dia: a fé e a esperança que tudo iria mudar. Iria…
futuro de um pretérito condicional simples, cuja condição nunca se realizou,
apesar de todas as minhas preces e pedidos de ajuda a um Deus que não se envolve nestas coisas.
E ainda bem. Temos o livre arbítrio. O poder da escolha. O poder de decidirmos o que fazer, mesmo quando nos sintamos perdidos e não saber que caminho escolher. Porque o coração nos diz uma coisa, e a cabeça outra.
Porque há uma altura na vida em que ou nos lançamos no abismo, ou começamos tudo de novo.
E eu mudei a rota. Decidi ir por um outro caminho às escuras. Sem saber aonde me vai levar. E se algum dia nos iremos encontrar de novo.
Agarro-me à esperança, sem nunca mais a soltar.
E ainda bem. Temos o livre arbítrio. O poder da escolha. O poder de decidirmos o que fazer, mesmo quando nos sintamos perdidos e não saber que caminho escolher. Porque o coração nos diz uma coisa, e a cabeça outra.
Porque há uma altura na vida em que ou nos lançamos no abismo, ou começamos tudo de novo.
E eu mudei a rota. Decidi ir por um outro caminho às escuras. Sem saber aonde me vai levar. E se algum dia nos iremos encontrar de novo.
Agarro-me à esperança, sem nunca mais a soltar.



