terça-feira, 13 de maio de 2014

Fazer a vida valer a pena





É quando vou às compras no supermercado, parada na zona do frio onde estão os lacticínios, na escolha dos iogurtes que vou levar para casa, que fico a olhar, inerte, para a data de validade, como se me tivesse congelado o pensamento. De facto, existe aqui algo de maravilhoso mas ao mesmo tempo assustador: tudo aquilo que produzimos, ainda que em algumas coisas não o saibamos estimar ao certo, tem um prazo de validade. Iogurtes e bens alimentares, roupa, papel, carros, mobiliário, tudo, mas mesmo tudo, tem um prazo, que dependendo do tipo de produto de que estivermos a falar e do bom uso que lhes dermos, é mais curto, ou mais extenso.
Pensando em mim e em todos os seres humanos à face da terra, personalidades e feitios à parte, mais novos ou mais velhos, mais bonitos ou mais feios, todos temos algo que nos aproxima dos demais: um prazo de validade, o fim de vida, escrito algures nas estrelas e que é ditado talvez por muito da forma como vamos vivendo, dia após dia.
Pois é, Todos nós temos uma data para partir, não sabendo nós lá muito bem para onde, mas todos nós temos um prazo de validade…
Ligar a vida terrena a coisas mais esotéricas ou mais científicas, isso não é agora o mais importante. Perco-me em pensamentos que me fogem por entre as mãos e me fazem pensar em tudo o que já vivi até hoje, em tudo o que já sonhei, em tudo o que acredito e desejo, em tudo o que quero ainda quero viver.
Será que tenho feito por viver aquilo em que acredito?
E os meus sonhos, será que faço algo para os realizar?
Será que tenho sonhos?
Quais são?
O que me move?
O que faço para cada dia ser mais feliz?
O que faço por mim e para mim?
E pelos outros?
Será que vivo, ou apenas existo?
Deixo passar os dias à espera que algo aconteça e mude o rumo das coisas, ou sou o autor da minha história, e dou um toque de magia àquilo que me acontece?
É, perco-me em perguntas. Penso na vida e no quão sou importante para mim, e para os outros. No quanto que posso fazer a cada momento, para tudo valer a pena.
Conforme o tempo passa, conheço tantas pessoas perdidas no mundo e nelas mesmas, esperando que a vida mude por obra do acaso, e lhes traga todas as respostas que precisam para tomarem as decisões que são elas que deveriam de tomar.

E vocês?
Será que vocês também são assim?
O que estão dispostos a fazer para mudar?
Até onde estão dispostos a ir?

Hoje, no que toca ao meu Eu e à minha vida, aprendi a olhar para dentro de mim, e a deixar um cunho muito próprio, muito meu, em tudo o que faço, independentemente das condicionantes ou do que os outros pensam, ou desejam. Chamo-lhe a marca FM, poderia ser denominada de outra coisa qualquer. Mas sempre muito minha.
Por estes dias, alguém de quem gosto muito me dizia que quanto mais se aproximam momentos decisivos, mais aumenta o medo e a insegurança de tomar algumas decisões. Pois bem, viver é construir uma bela história que implica decidir que caminho tomar. E eu acredito que é quando pensamos no que é verdadeiramente importante para nós e no que realmente queremos para a nossa vida, que pura e simplesmente a magia acontece.
Não tenhamos medo. Quando alguém sabe para onde quer ir, tudo flui para o deixar passar.
Hoje, sei que há algo que muda em mim todos os dias, tornando-me mais forte, mais profunda, mais definida, quaisquer que seja a direção que a minha vida tome: a vontade de empreender, de conduzir com determinação o meu barco e leva-lo ao porto que me faz melhor e mais feliz. Porque sou a autora da minha história, dou-lhe os finais que quero dar, independentemente de ser aquilo o que os outros esperam ou acham mais convencional.
E por falar nisto…
Alguém me sabe dizer o que é certo ou errado?
Onde é que está o manual de instruções da vida, que diz como devemos agir nesta ou naquela situação?
Onde é que estas coisas estão escritas?
É claro que no meio das escolhas que faço, existem ganhos e perdas, mudanças de caminho, coisas que surgem, e outras que se esvanecem com o passar do tempo. No entanto sei que a vida é mesmo assim, feita de decisões, de aproximações e afastamentos, feita de momentos que todos juntos fazem uma vida.
Há uns que têm medo da mudança, eu tenho é medo que as coisas nunca mudem. E é quando fico com as mãos doridas do frio dos iogurtes que tenho nas mãos, que me apercebo que tenho de escolher entre morango ou côco. E em todo o caso, opto pelos que têm o prazo de validade mais alargado.


FM

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