É quando vou às compras
no supermercado, parada na zona do frio onde estão os lacticínios, na escolha
dos iogurtes que vou levar para casa, que fico a olhar, inerte, para a data de
validade, como se me tivesse congelado o pensamento. De facto, existe aqui algo
de maravilhoso mas ao mesmo tempo assustador: tudo aquilo que produzimos, ainda
que em algumas coisas não o saibamos estimar ao certo, tem um prazo de
validade. Iogurtes e bens alimentares, roupa, papel, carros, mobiliário, tudo, mas
mesmo tudo, tem um prazo, que dependendo do tipo de produto de que estivermos a
falar e do bom uso que lhes dermos, é mais curto, ou mais extenso.
Pensando em mim e em
todos os seres humanos à face da terra, personalidades e feitios à parte, mais
novos ou mais velhos, mais bonitos ou mais feios, todos temos algo que nos aproxima
dos demais: um prazo de validade, o fim de vida, escrito algures nas estrelas e
que é ditado talvez por muito da forma como vamos vivendo, dia após dia.
Pois é, Todos nós temos
uma data para partir, não sabendo nós lá muito bem para onde, mas todos nós
temos um prazo de validade…
Ligar a vida terrena a
coisas mais esotéricas ou mais científicas, isso não é agora o mais importante.
Perco-me em pensamentos que me fogem por entre as mãos e me fazem pensar em
tudo o que já vivi até hoje, em tudo o que já sonhei, em tudo o que acredito e
desejo, em tudo o que quero ainda quero viver.
Será que tenho feito por
viver aquilo em que acredito?
E os meus sonhos, será
que faço algo para os realizar?
Será que tenho sonhos?
Quais são?
O que me move?
O que faço para cada
dia ser mais feliz?
O que faço por mim e
para mim?
E pelos outros?
Será que vivo, ou
apenas existo?
Deixo passar os dias à
espera que algo aconteça e mude o rumo das coisas, ou sou o autor da minha
história, e dou um toque de magia àquilo que me acontece?
É, perco-me em
perguntas. Penso na vida e no quão sou importante para mim, e para os outros. No
quanto que posso fazer a cada momento, para tudo valer a pena.
Conforme o tempo passa,
conheço tantas pessoas perdidas no mundo e nelas mesmas, esperando que a vida
mude por obra do acaso, e lhes traga todas as respostas que precisam para
tomarem as decisões que são elas que deveriam de tomar.
E vocês?
E vocês?
Será que vocês também
são assim?
O que estão dispostos a
fazer para mudar?
Até onde estão dispostos
a ir?
Hoje, no que toca ao meu Eu
e à minha vida, aprendi a olhar para dentro de mim, e a deixar um cunho muito
próprio, muito meu, em tudo o que faço, independentemente das condicionantes ou
do que os outros pensam, ou desejam. Chamo-lhe a marca FM, poderia ser denominada
de outra coisa qualquer. Mas sempre muito minha.
Por estes dias, alguém
de quem gosto muito me dizia que quanto mais se aproximam momentos decisivos, mais
aumenta o medo e a insegurança de tomar algumas decisões. Pois bem, viver é
construir uma bela história que implica decidir que caminho tomar. E eu acredito
que é quando pensamos no que é verdadeiramente importante para nós e no que realmente
queremos para a nossa vida, que pura e simplesmente a magia acontece.
Não tenhamos medo. Quando alguém sabe para onde quer ir, tudo flui para o deixar passar.
Não tenhamos medo. Quando alguém sabe para onde quer ir, tudo flui para o deixar passar.
Hoje, sei que há algo
que muda em mim todos os dias, tornando-me mais forte, mais profunda, mais
definida, quaisquer que seja a direção que a minha vida tome: a vontade de
empreender, de conduzir com determinação o meu barco e leva-lo ao porto que me
faz melhor e mais feliz. Porque sou a autora da minha história, dou-lhe os
finais que quero dar, independentemente de ser aquilo o que os outros esperam
ou acham mais convencional.
E por falar nisto…
Alguém me sabe dizer o
que é certo ou errado?
Onde é que está o
manual de instruções da vida, que diz como devemos agir nesta ou naquela
situação?
Onde é que estas coisas
estão escritas?
É claro que no meio das
escolhas que faço, existem ganhos e perdas, mudanças de caminho, coisas que
surgem, e outras que se esvanecem com o passar do tempo. No entanto sei que a
vida é mesmo assim, feita de decisões, de aproximações e afastamentos, feita de
momentos que todos juntos fazem uma vida.
Há uns que têm medo da
mudança, eu tenho é medo que as coisas nunca mudem. E é quando fico com as mãos
doridas do frio dos iogurtes que tenho nas mãos, que me apercebo que tenho de
escolher entre morango ou côco. E em todo o caso, opto pelos que têm o prazo de
validade mais alargado.
FM

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