quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Pequenas Estrelas


Não sou muito hábil em discursos. Quis a vida que me expressa-se mais fácil e genuinamente através da escrita, e com muito, muito prazer. Por isso, dou por mim muitas vezes a passar para o papel aquilo que sinto, para que a sensação de que algo fique por dizer não me acompanhe alguns dias.
Passam por nós inúmeras pessoas, algumas que nos dizem mais, outras menos. Umas que temos vontade de ter sempre por perto, outras de vez em quando, outras com as quais desejaríamos nunca ter cruzado.
Umas que ficam por dias, outras por anos, outras até para sempre.
No meio deste universo de encontros e desencontros, a vida passa tão segura de si mesma que não temos tempo de lhe dizer para andar mais devagar para que possamos viver as coisas boas de forma mais intensa.
E assim guardamos em nós aquelas pessoas que nos tocam o coração, pessoas que podem ter tanto de divino como de infernal.
É, existem pessoas que nos provocam por vezes mudanças tão profundas que nos marcam para todo o sempre, e nunca mais somos os mesmos.
É, acredito que existe algo de mais transcendente na vida, e que são por vezes as pessoas que nos causam mais sofrimento, que nos desiludem, que nos magoam, as mesmas que nos proporcionam mais mudanças.
É, também a lagarta passa por uma metamorfose dura e violenta para se transformar numa linda borboleta.
Porque assim é a vida: tão mágica quão incompreensível. Tão doce como quão amarga. Tão terrena como celestial. E só assim crescemos, evoluímos e aprendemos algo. Mudar custa, mas permanecer sempre igual custa muito mais, e algo bem dentro de mim me diz que nada do que existe de verdadeiramente bom na vida é apenas fruto de um mágico destino.
E se existem seres que passam na nossa vida e nos deixam apreensivos pela sua postura e modo de ser, existem por si só seres maravilhosos, pessoas que acalentam os nossos sonhos, nos dão confiança e nos fazem acreditar que só por elas, já valeu a pena existir. Pessoas em jeito de anjo, que permanecem mais próximas no amor que nos une e que são como alguém me disse um dia “pequenas estrelas” que dão luz aos nossos dias e nos fazem felizes. Pessoas que dão cor e forma à palavra amizade e a cozinham em lume brando com amor, entrega, respeito, confiança e muita aceitação das caraterísticas individuais, mesmo que diferentes das delas.
Há quem chame amizade a outras coisas. Para mim é isto. Ou mais que isto.
Porque para receber é preciso dar. Porque há quem viva sem saber o significado da palavra gratidão. Porque há quem confunda sinceridade, com frieza e brutalidade. E numa amizade, apesar de existir compreensão, existe algo mais forte que tudo o resto: um amor fraterno e uma entrega que por vezes nos deixa despidos. Despidos de preconceitos. Despidos de todos os artifícios que carregamos no dia-a-dia por força da sociedade. Despidos na nossa essência. Na nossa verdade.
Umas de longos anos, outras mais recentes, sinto-me abençoada pelas amizades que tenho, pequenos anjos que cuidam de mim, e eu deles, porque a amizade não existe em si mesma sem reciprocidade, mesmo que não se esteja sempre lá.
E é o coração que torna um amplo espaço em algo pequeno, por mais quilómetros de distância que existam. Deve ser por isso que quando estamos perto de alguém de quem gostamos muito e queremos dizer algo forte, baixamos o tom, como se estivéssemos a contar um segredo. A linguagem do coração é um sussurro.
É certo que nem todos somos perfeitos, cada um com suas qualidades e lados lunares, é certo que a vida nem sempre nos permite estar perto e dizer com a regularidade que desejamos o quão gostamos de quem nos faz bem, é certo que por vezes os dissabores da vida e principalmente com alguns seres humanos, nos fazem ficar mais frios.
Mas, hoje tenho em mim que não há nuvem tão negra que retire a cor e apague a força do de um coração sincero quando quer dizer o quanto que gosta de alguém.
Hoje estou certa que não há pessoas certas nem erradas, melhores ou piores.
Existem sim pessoas com vontades diferentes, pessoas com egos de tamanhos diferentes que se sobrepõem a mais ou menos coisas, pessoas com princípios e valores diferentes dos nossos e que colidem diretamente com aquilo que acreditamos.
E no fundo vivemos a acreditar que em algum aspeto, aqueles de quem gostamos vão corresponder àquilo que esperamos. Daí vermos por vezes em pessoas que um dia nos disseram tanto, atitudes incompreensíveis à luz dos nossos olhos.
Por isso nos desiludimos.
Porque o que nos mata é aquilo que esperamos dos outros. Não aquilo que eles são de verdade.
E no fundo no fundo, quem disse que têm de ser como nós queremos?
Mas não é o que de menos bom acontece que me alimenta. Hoje apenas sei que descobrimos o lado mais doce da vida porque em algum momento soubemos o que era o seu oposto. E para sentirmos o que são Amigos de verdade, temos de saber o que não o é. Assim existe o preto para o branco, tal como a noite está para o dia.
O que a vida me mostrou até hoje faz-me pensar que tudo existe em nós para nos fazer crescer e evoluir. E que são por vezes as pessoas que mais nos magoam e nos desapontam, que nos fazem crescer e mover ainda com mais força em direção àquilo em que acreditamos. E eu, vivo a acreditar na vida, no amor, na amizade, na confiança, no respeito.
Deve ser por isso que todos os dias quando acordo sigo sempre em direção aos meus sonhos, vivendo de forma genuína tudo aquilo em que acredito verdadeiramente. E lá sigo o meu destino, rego as minhas plantas e amo as minhas rosas com todos os espinhos que possam ter. O resto é como o grande poeta disse um dia: “sombra de árvores alheias”.

E vocês?
Seguem o que acreditam verdadeiramente?
Estão felizes com as pequenas estrelas que iluminam a vossa noite?
Mudariam alguma coisa?

 

Vale a pena pensar nisto.

FM

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

O poder das Palavras


Sempre tive um fio que me ligava diretamente a boca ao coração e que me fazia lançar de forma quase imediata em direção ao universo e a quem me estivesse a ouvir tudo o que me ia na alma. Fruto de algum sentimento, melhor ou pior, aquilo que estava em mim em determinado momento saia numa velocidade estonteante sem que eu pudesse sequer dizer ai ou ui.
Palavras, gestos, tons, modos de ser ou de estar espelham o que temos dentro de nós, na nossa cabeça e no nosso coração, e têm um enorme poder em si mesmos.
Sabiam?
De facto, a linguagem que utilizamos materializa pensamentos, transforma ideias e expressa tudo aquilo que temos cá dentro: sentimentos, sonhos, desejos, emoções, capacidades. Como que armas poderosas e cheias de energia, têm o dom de mudar o semblante e o dia de qualquer ser humano e até a nós mesmos, seja de uma forma positiva ou negativa.
Hoje, mais que nunca, sei que é muito importante estar consciente de que a energia que emanamos no nosso discurso nos influencia a nós e àquilo que somos capazes de empreender, por mais simples que seja. É de facto uma verdade mais que absoluta, que fui descobrindo, através daquilo que muitas vezes provocava nas outras pessoas, por isso hoje escrevo sobre isto: o poder das palavras, do nosso discurso e da nossa linguagem interna.
Pensando nas diversas pessoas que conheço, refletindo sobre formas de estar, hoje estou certa que ninguém é igual a ninguém. A multiplicidade de pessoas e personalidades que existe no mundo, faz-me pensar que de facto cada ser humano carrega em si universos únicos, cheios de histórias que moldam e fazem ser assim e assado, agir e reagir conforme estados de espirito, situações e circunstâncias. Não somos iguais sempre, e ainda bem. Que chatice se fossemos previsíveis!
As conversas em que estamos mais alterados costumam ser os momentos em que dizemos mais palavras equivocadas. Ninguém foge à regra, por mais calma e serena que seja uma pessoa, não existe ninguém no mundo que em determinada altura, por este ou aquele motivo, não tenha sido invadido por sentimentos de raiva, stresse ou emoções negativas. De facto, este tipo de sentimentos gera alterações significativas no sistema nervoso autónomo e influencia o nosso modo de reagir com as outras pessoas e consecutivamente as palavras que utilizamos. Costumo dizer imensas vezes que quando estamos zangados não somos nós que falamos, mas a nossa raiva. A grande questão no meio disto tudo é que, na maior parte das vezes, a nossa linguagem flui de um modo tão natural e espontâneo e não pensamos no que dizemos, tampouco no efeito que as palavras que proferimos podem ter nas outras pessoas.
Saber que através do nosso discurso podemos influenciar os outros, é como que carregar em si mesmo uma varinha mágica com o dom de deixar as outras pessoas mais felizes.
De facto, através das nossas palavras podemos agradar ou ferir, incentivar ou quebrar, impulsionar ou desiludir, construir ou destruir. Afetamos assim as pessoas com quem nos relacionamos, mais próximas ou distantes e, se assim é, de uma forma positiva podemos mudar o dia de uma pessoa através de um simples gesto ou palavra. A vida foi-me mostrando que, para além das palavras em si, o modo como o dizemos é também muito importante. Personalidades e feitios aparte, uma certa dose de impulsividade é fruto de uma tenra idade e de algumas características pessoais que se podem, ou não, vir a desenvolver, e nos permite fazer mais disparates e não pensar no que dizemos. O gesto, o tom, o modo, fazem com que a mensagem que passamos seja bem recebida pelo outro, ao invés de se tornar fruto de uma discussão ou até de um desgosto. Para além disso, é também importante termos noção dos melhores momentos para abordar qualquer assunto. Saber reconhecer a melhor altura para conversar sobre qualquer assunto, evitando um momento em que o nosso interlocutor esteja mais nervoso, ou simplesmente ocupado com alguma questão é muito importante para sermos bem sucedidos. Se queremos construir relações à nossa volta saudáveis e harmoniosas, devemos procurar perceber quem temos do outro lado e cuidar das palavras e a forma como as empregamos numa conversa.
Para mim, palavras certas são aquelas que tocam o coração das pessoas, que exprimem verdade e doçura. São aquelas que são ditas com serenidade e amor. Que trazem atitudes benéficas e positivas tanto para nó, como para os outros.
Depois de tantas palavras escritas para falar sobre a imensidão subjacente à comunicação, deixo um desafio: que tal refletirmos no modo como nos expressamos habitualmente? Utilizamos palavras positivas ou negativas? Como é que as pessoas reagem ao que dizemos?

E como há imagens que alem mais que mil palavras, deixo-vos com um vídeo.
Vale a pena pensar nisto.


 

FM