quarta-feira, 10 de setembro de 2014

O poder das Palavras


Sempre tive um fio que me ligava diretamente a boca ao coração e que me fazia lançar de forma quase imediata em direção ao universo e a quem me estivesse a ouvir tudo o que me ia na alma. Fruto de algum sentimento, melhor ou pior, aquilo que estava em mim em determinado momento saia numa velocidade estonteante sem que eu pudesse sequer dizer ai ou ui.
Palavras, gestos, tons, modos de ser ou de estar espelham o que temos dentro de nós, na nossa cabeça e no nosso coração, e têm um enorme poder em si mesmos.
Sabiam?
De facto, a linguagem que utilizamos materializa pensamentos, transforma ideias e expressa tudo aquilo que temos cá dentro: sentimentos, sonhos, desejos, emoções, capacidades. Como que armas poderosas e cheias de energia, têm o dom de mudar o semblante e o dia de qualquer ser humano e até a nós mesmos, seja de uma forma positiva ou negativa.
Hoje, mais que nunca, sei que é muito importante estar consciente de que a energia que emanamos no nosso discurso nos influencia a nós e àquilo que somos capazes de empreender, por mais simples que seja. É de facto uma verdade mais que absoluta, que fui descobrindo, através daquilo que muitas vezes provocava nas outras pessoas, por isso hoje escrevo sobre isto: o poder das palavras, do nosso discurso e da nossa linguagem interna.
Pensando nas diversas pessoas que conheço, refletindo sobre formas de estar, hoje estou certa que ninguém é igual a ninguém. A multiplicidade de pessoas e personalidades que existe no mundo, faz-me pensar que de facto cada ser humano carrega em si universos únicos, cheios de histórias que moldam e fazem ser assim e assado, agir e reagir conforme estados de espirito, situações e circunstâncias. Não somos iguais sempre, e ainda bem. Que chatice se fossemos previsíveis!
As conversas em que estamos mais alterados costumam ser os momentos em que dizemos mais palavras equivocadas. Ninguém foge à regra, por mais calma e serena que seja uma pessoa, não existe ninguém no mundo que em determinada altura, por este ou aquele motivo, não tenha sido invadido por sentimentos de raiva, stresse ou emoções negativas. De facto, este tipo de sentimentos gera alterações significativas no sistema nervoso autónomo e influencia o nosso modo de reagir com as outras pessoas e consecutivamente as palavras que utilizamos. Costumo dizer imensas vezes que quando estamos zangados não somos nós que falamos, mas a nossa raiva. A grande questão no meio disto tudo é que, na maior parte das vezes, a nossa linguagem flui de um modo tão natural e espontâneo e não pensamos no que dizemos, tampouco no efeito que as palavras que proferimos podem ter nas outras pessoas.
Saber que através do nosso discurso podemos influenciar os outros, é como que carregar em si mesmo uma varinha mágica com o dom de deixar as outras pessoas mais felizes.
De facto, através das nossas palavras podemos agradar ou ferir, incentivar ou quebrar, impulsionar ou desiludir, construir ou destruir. Afetamos assim as pessoas com quem nos relacionamos, mais próximas ou distantes e, se assim é, de uma forma positiva podemos mudar o dia de uma pessoa através de um simples gesto ou palavra. A vida foi-me mostrando que, para além das palavras em si, o modo como o dizemos é também muito importante. Personalidades e feitios aparte, uma certa dose de impulsividade é fruto de uma tenra idade e de algumas características pessoais que se podem, ou não, vir a desenvolver, e nos permite fazer mais disparates e não pensar no que dizemos. O gesto, o tom, o modo, fazem com que a mensagem que passamos seja bem recebida pelo outro, ao invés de se tornar fruto de uma discussão ou até de um desgosto. Para além disso, é também importante termos noção dos melhores momentos para abordar qualquer assunto. Saber reconhecer a melhor altura para conversar sobre qualquer assunto, evitando um momento em que o nosso interlocutor esteja mais nervoso, ou simplesmente ocupado com alguma questão é muito importante para sermos bem sucedidos. Se queremos construir relações à nossa volta saudáveis e harmoniosas, devemos procurar perceber quem temos do outro lado e cuidar das palavras e a forma como as empregamos numa conversa.
Para mim, palavras certas são aquelas que tocam o coração das pessoas, que exprimem verdade e doçura. São aquelas que são ditas com serenidade e amor. Que trazem atitudes benéficas e positivas tanto para nó, como para os outros.
Depois de tantas palavras escritas para falar sobre a imensidão subjacente à comunicação, deixo um desafio: que tal refletirmos no modo como nos expressamos habitualmente? Utilizamos palavras positivas ou negativas? Como é que as pessoas reagem ao que dizemos?

E como há imagens que alem mais que mil palavras, deixo-vos com um vídeo.
Vale a pena pensar nisto.


 

FM

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