sábado, 26 de julho de 2025

O amor esse lugar por descobrir

 O Amor — esse lugar por descobrir




Outro dia, as minhas filhas perguntaram-me qual era a minha palavra preferida. Respondi sem pensar: amor.

Talvez porque essa palavra tem a forma de tudo o que mais desejo, tudo o que mais me move, tudo o que ainda procuro.


Mas… o que é o amor, afinal?


É difícil definir o que nunca se viveu por inteiro. Sempre sonhei com ele. Sempre acreditei que havia de o encontrar.

Mas, na verdade, nunca o experimentei na forma que nos contam nos livros ou nos filmes.

Não sei o que é sentir que se é casa no abraço de alguém.

Ainda não sei o que é ser escolhida todos os dias, com leveza, com verdade, com amizade.


E, no entanto, sei tanto sobre o amor...

Sei o que é o amor de família — que não precisa ser perfeito, mas é onde voltamos sempre.

Sei o que é o amor entre irmãos, entre primos, entre sobrinhos. Aquele que se constrói nos dias comuns, com piadas internas, telefonemas sem assunto e presenças que aquecem.

Sei o que é amar amigas que são irmãs — mesmo sem sangue em comum. Aquelas que ouvem o que não digo e que aparecem quando o mundo parece pequeno demais para tudo o que carrego.

E sei — com o coração inteiro — o que é o amor de mãe.


Amar as minhas filhas é o mais próximo que conheço de um milagre.

É amar antes de conhecer, antes de ver.

É viver com o coração fora do corpo e chamar-lhe nome próprio.

É o amor que nos transforma e nos redefine.

Como escreveu Pablo Neruda: “Em um beijo, saberás tudo o que eu calei.”

Com elas, não é preciso explicar nada. Elas sabem. Elas sentem.



Sei também o que é o amor que se sente por uma madrinha.

A minha.

Foi com ela que percebi que o amor incondicional não depende de cordões umbilicais, mas de cordões invisíveis que ligam alma a alma.

Com ela aprendi que o amor não grita. Cuida. Fica. Sabe estar. Intensamente.


E sim…

Há amor no trabalho.

Quando se faz com entrega, com intenção. Quando nos importamos.

Tudo o que é feito com amor tem outro sabor, outro brilho, outra força.

O amor está no detalhe, na paciência, no levantar outra vez quando se cai.

Está nos projetos que nos espelham, nos sonhos que partilhamos, no orgulho de construir algo com sentido.

Quando damos o nosso melhor, quando criamos com propósito, quando construímos com outros algo que acreditamos.

Tudo o que é feito com amor tem outro sabor, outra força.

Vinicius de Moraes dizia: “A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.”

E eu acredito nisso — o trabalho é, tantas vezes, lugar de encontro!



No fundo, o amor não é só aquele a dois.

Não é só o dos filmes nem dos livros.

É muito mais do que isso.

Mas sim, há um amor que me falta.


O amor que sonhei viver desde sempre.

Não aquele dos contos de fadas. Nem dos casamentos em sunset.

(Aliás… talvez o casamento seja a maior mentira da vida moderna. Porque o que eu quero não é um contrato nem cabe nele — é um compromisso de alma.)


Eu sonho com um amor simples.

Com gestos pequenos e presença inteira.

Com alguém que me ouça com os olhos.

Que me dê a mão num café ao final da tarde.

Que se lembre que gosto de tostas mal passadas.

Que me abrace nos dias bons e, nos dias maus, me abrace ainda mais.

Um amor que seja casa.

Mesmo que pequena. Mesmo sem cortinas novas.

Mesmo sem promessas de sempre — só com vontade de agora.

Carlos Drummond de Andrade escreveu: “O amor é privilégio de maduros… não daqueles que amam de corpo, mas de alma.”

E é esse amor que eu sonho viver.

Um amor maduro. Gentil. Real.

Que não prometa sempre, mas que esteja hoje.


Talvez ainda venha.

Talvez não.

Mas enquanto sonho, vou preenchendo os meus dias com todos os outros amores que me sustentam.

E com o maior de todos: o amor que, finalmente, tenho aprendido a dar a mim mesma.


Talvez esse amor ainda me espere por aí.

E se não vier, ao menos saberei que nunca deixei de o sonhar.

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