terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Feliz 2015!


Mais um ano que chega ao fim. 365 dias cheios de história deixam-me a pensar que o tempo não pára nunca, e que é sempre tempo para sermos felizes.
Birras, sorrisos, brincadeiras, palavras doces, outras mais agrestes, sonhos realizados, outros idealizados, amizades fortalecidas, outras esvanecidas, amores e desamores, encontros e desencontros, harmonia e vontade de vencer, medo e desafios, segurança e incerteza, compõem ao mesmo tempo as páginas de um livro cuja autoria é nossa e apenas nossa, e cujo final é sempre aquele que o quisermos dar.
Há anos e anos. Anos leves que quase nem damos por eles, outros fortes, que só desejamos que passem rápido para não mais voltar, outros até que gostávamos de ver em câmara lenta para saborearmos tudo o que nos trazem. Anos memoráveis e marcantes, outros até sonantes. Anos que queremos muito, outros até nem tanto... Todos fazem parte de uma vida que é um presente desembrulhado a cada dia, e que temos o dever de aproveitar do melhor modo. Não se vive duas vezes.
Este para mim foi se dúvida um ano imenso, cheio de vida, cheio daquela intensidade que apenas eu sei dar e sentir, porque é uma intensidade minha e apenas minha.
De entre todas as palavras que existem no universo, julgo que há apenas uma que pode descrever 2014: Mudança. Foi, de facto, um ano repleto de magia e transcendência, com deixar ir pessoas e sentimentos velhos que já nem usava, para ser bafejada por uma imensidão de surpresas e coisas novas, por vezes nada fáceis de encarar, mas que no final acima de tudo estiveram sempre recheadas de doçuras e travessuras, com um sabor delicioso.
É irónico pensar que em determinadas fases da minha vida, pensar em mudança assustava-me. Fugia dela, como o diabo fugia da cruz. Procurava o conforto de uma vida mediana, cheia de certezas pela rotina do dia a dia, mas incerta QB para me deixar insatisfeita comigo mesma.
Este foi, sem dúvida um ano de mudança: Mudei. Mudei muito. Mudei de casa. Mudei de trabalho. Mudei a minha vida. Mudei o meu grande amor, que se tornou forte e sereno, doce e agreste, profundo e solto, leve e tranquilo. 
E percebi que acima de tudo a vida muda, se nós mudarmos também. 
Percebi que não há pessoas intocáveis pela perfeição, e que há quem tenha tanto de divino como de infernal. Percebi que não existe apenas uma verdade, e que a minha, é apenas minha verdade mediante as minhas circunstâncias e aquilo que e vivo no momento. Percebi que nenhum tapete está suficientemente preso ao chão para nos segurar, porque por vezes temos mesmo de cair no chão para nos levantarmos ainda com mais força. Percebi que a dádiva mais preciosa que há no mundo é a Fé, e que com ela movemos as montanhas que foram necessárias. Percebi que ser inteligente, é fazer-nos de estúpidos de vez em quando. Percebi que há amizades verdadeiras e que sobrevivem perenes no tempo, tal e qual uma árvore, que esvoaça ao sabor do vento, mas fica bem segura com as suas raízes no chão. Percebi que o perdão é algo maravilhoso, e que é a nós mesmos que o devemos aplicar em primeiro lugar. Percebi que a raiva existe mesmo, e que só se mantém viva se lhe dermos alimento para sobreviver. Percebi que se a vida por vezes nos tira tanto, nos dá sempre muito. Percebi que devemos coragem para aceitar aquilo que não nos é possível mudar, pois só assim estamos preparados para aquilo que a vida tem para nos dar.. Percebi que as palavras que os outros escutam, muitas vezes não são as mesmas que proferimos. Percebi que somos capazes de tudo o que quisermos, e que pequenos gestos, quando feitos com carinho, podem mudar o mundo. Percebi que a vida acontece para além de nós, e que o mais fantástico que há no mundo é mesmo o amor.
Estou grata a tudo o que a vida me proporcionou. Em 2015 quero ver mais além, para descobrir os milagres que acontecem a cada dia, e agradecer ainda mais aquilo que tenho.
De facto, a vida flui para aqueles que se atrevem a sonhar e a lutar pelos seus sonhos, para aqueles que não desistem de lutar apesar de todas as dificuldades, para aqueles que são felizes com aquilo que têm. 
Em 2015, desejo-Vos muita Fé, muita Aceitação, muita Paz, muita Perseverança, muitos Sonhos cheios de concretização, e um coração cheio de Esperança e Amor ao próximo, como a Nós mesmos. 

Sejam muito felizes.
FM






quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Pequenas Estrelas


Não sou muito hábil em discursos. Quis a vida que me expressa-se mais fácil e genuinamente através da escrita, e com muito, muito prazer. Por isso, dou por mim muitas vezes a passar para o papel aquilo que sinto, para que a sensação de que algo fique por dizer não me acompanhe alguns dias.
Passam por nós inúmeras pessoas, algumas que nos dizem mais, outras menos. Umas que temos vontade de ter sempre por perto, outras de vez em quando, outras com as quais desejaríamos nunca ter cruzado.
Umas que ficam por dias, outras por anos, outras até para sempre.
No meio deste universo de encontros e desencontros, a vida passa tão segura de si mesma que não temos tempo de lhe dizer para andar mais devagar para que possamos viver as coisas boas de forma mais intensa.
E assim guardamos em nós aquelas pessoas que nos tocam o coração, pessoas que podem ter tanto de divino como de infernal.
É, existem pessoas que nos provocam por vezes mudanças tão profundas que nos marcam para todo o sempre, e nunca mais somos os mesmos.
É, acredito que existe algo de mais transcendente na vida, e que são por vezes as pessoas que nos causam mais sofrimento, que nos desiludem, que nos magoam, as mesmas que nos proporcionam mais mudanças.
É, também a lagarta passa por uma metamorfose dura e violenta para se transformar numa linda borboleta.
Porque assim é a vida: tão mágica quão incompreensível. Tão doce como quão amarga. Tão terrena como celestial. E só assim crescemos, evoluímos e aprendemos algo. Mudar custa, mas permanecer sempre igual custa muito mais, e algo bem dentro de mim me diz que nada do que existe de verdadeiramente bom na vida é apenas fruto de um mágico destino.
E se existem seres que passam na nossa vida e nos deixam apreensivos pela sua postura e modo de ser, existem por si só seres maravilhosos, pessoas que acalentam os nossos sonhos, nos dão confiança e nos fazem acreditar que só por elas, já valeu a pena existir. Pessoas em jeito de anjo, que permanecem mais próximas no amor que nos une e que são como alguém me disse um dia “pequenas estrelas” que dão luz aos nossos dias e nos fazem felizes. Pessoas que dão cor e forma à palavra amizade e a cozinham em lume brando com amor, entrega, respeito, confiança e muita aceitação das caraterísticas individuais, mesmo que diferentes das delas.
Há quem chame amizade a outras coisas. Para mim é isto. Ou mais que isto.
Porque para receber é preciso dar. Porque há quem viva sem saber o significado da palavra gratidão. Porque há quem confunda sinceridade, com frieza e brutalidade. E numa amizade, apesar de existir compreensão, existe algo mais forte que tudo o resto: um amor fraterno e uma entrega que por vezes nos deixa despidos. Despidos de preconceitos. Despidos de todos os artifícios que carregamos no dia-a-dia por força da sociedade. Despidos na nossa essência. Na nossa verdade.
Umas de longos anos, outras mais recentes, sinto-me abençoada pelas amizades que tenho, pequenos anjos que cuidam de mim, e eu deles, porque a amizade não existe em si mesma sem reciprocidade, mesmo que não se esteja sempre lá.
E é o coração que torna um amplo espaço em algo pequeno, por mais quilómetros de distância que existam. Deve ser por isso que quando estamos perto de alguém de quem gostamos muito e queremos dizer algo forte, baixamos o tom, como se estivéssemos a contar um segredo. A linguagem do coração é um sussurro.
É certo que nem todos somos perfeitos, cada um com suas qualidades e lados lunares, é certo que a vida nem sempre nos permite estar perto e dizer com a regularidade que desejamos o quão gostamos de quem nos faz bem, é certo que por vezes os dissabores da vida e principalmente com alguns seres humanos, nos fazem ficar mais frios.
Mas, hoje tenho em mim que não há nuvem tão negra que retire a cor e apague a força do de um coração sincero quando quer dizer o quanto que gosta de alguém.
Hoje estou certa que não há pessoas certas nem erradas, melhores ou piores.
Existem sim pessoas com vontades diferentes, pessoas com egos de tamanhos diferentes que se sobrepõem a mais ou menos coisas, pessoas com princípios e valores diferentes dos nossos e que colidem diretamente com aquilo que acreditamos.
E no fundo vivemos a acreditar que em algum aspeto, aqueles de quem gostamos vão corresponder àquilo que esperamos. Daí vermos por vezes em pessoas que um dia nos disseram tanto, atitudes incompreensíveis à luz dos nossos olhos.
Por isso nos desiludimos.
Porque o que nos mata é aquilo que esperamos dos outros. Não aquilo que eles são de verdade.
E no fundo no fundo, quem disse que têm de ser como nós queremos?
Mas não é o que de menos bom acontece que me alimenta. Hoje apenas sei que descobrimos o lado mais doce da vida porque em algum momento soubemos o que era o seu oposto. E para sentirmos o que são Amigos de verdade, temos de saber o que não o é. Assim existe o preto para o branco, tal como a noite está para o dia.
O que a vida me mostrou até hoje faz-me pensar que tudo existe em nós para nos fazer crescer e evoluir. E que são por vezes as pessoas que mais nos magoam e nos desapontam, que nos fazem crescer e mover ainda com mais força em direção àquilo em que acreditamos. E eu, vivo a acreditar na vida, no amor, na amizade, na confiança, no respeito.
Deve ser por isso que todos os dias quando acordo sigo sempre em direção aos meus sonhos, vivendo de forma genuína tudo aquilo em que acredito verdadeiramente. E lá sigo o meu destino, rego as minhas plantas e amo as minhas rosas com todos os espinhos que possam ter. O resto é como o grande poeta disse um dia: “sombra de árvores alheias”.

E vocês?
Seguem o que acreditam verdadeiramente?
Estão felizes com as pequenas estrelas que iluminam a vossa noite?
Mudariam alguma coisa?

 

Vale a pena pensar nisto.

FM

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

O poder das Palavras


Sempre tive um fio que me ligava diretamente a boca ao coração e que me fazia lançar de forma quase imediata em direção ao universo e a quem me estivesse a ouvir tudo o que me ia na alma. Fruto de algum sentimento, melhor ou pior, aquilo que estava em mim em determinado momento saia numa velocidade estonteante sem que eu pudesse sequer dizer ai ou ui.
Palavras, gestos, tons, modos de ser ou de estar espelham o que temos dentro de nós, na nossa cabeça e no nosso coração, e têm um enorme poder em si mesmos.
Sabiam?
De facto, a linguagem que utilizamos materializa pensamentos, transforma ideias e expressa tudo aquilo que temos cá dentro: sentimentos, sonhos, desejos, emoções, capacidades. Como que armas poderosas e cheias de energia, têm o dom de mudar o semblante e o dia de qualquer ser humano e até a nós mesmos, seja de uma forma positiva ou negativa.
Hoje, mais que nunca, sei que é muito importante estar consciente de que a energia que emanamos no nosso discurso nos influencia a nós e àquilo que somos capazes de empreender, por mais simples que seja. É de facto uma verdade mais que absoluta, que fui descobrindo, através daquilo que muitas vezes provocava nas outras pessoas, por isso hoje escrevo sobre isto: o poder das palavras, do nosso discurso e da nossa linguagem interna.
Pensando nas diversas pessoas que conheço, refletindo sobre formas de estar, hoje estou certa que ninguém é igual a ninguém. A multiplicidade de pessoas e personalidades que existe no mundo, faz-me pensar que de facto cada ser humano carrega em si universos únicos, cheios de histórias que moldam e fazem ser assim e assado, agir e reagir conforme estados de espirito, situações e circunstâncias. Não somos iguais sempre, e ainda bem. Que chatice se fossemos previsíveis!
As conversas em que estamos mais alterados costumam ser os momentos em que dizemos mais palavras equivocadas. Ninguém foge à regra, por mais calma e serena que seja uma pessoa, não existe ninguém no mundo que em determinada altura, por este ou aquele motivo, não tenha sido invadido por sentimentos de raiva, stresse ou emoções negativas. De facto, este tipo de sentimentos gera alterações significativas no sistema nervoso autónomo e influencia o nosso modo de reagir com as outras pessoas e consecutivamente as palavras que utilizamos. Costumo dizer imensas vezes que quando estamos zangados não somos nós que falamos, mas a nossa raiva. A grande questão no meio disto tudo é que, na maior parte das vezes, a nossa linguagem flui de um modo tão natural e espontâneo e não pensamos no que dizemos, tampouco no efeito que as palavras que proferimos podem ter nas outras pessoas.
Saber que através do nosso discurso podemos influenciar os outros, é como que carregar em si mesmo uma varinha mágica com o dom de deixar as outras pessoas mais felizes.
De facto, através das nossas palavras podemos agradar ou ferir, incentivar ou quebrar, impulsionar ou desiludir, construir ou destruir. Afetamos assim as pessoas com quem nos relacionamos, mais próximas ou distantes e, se assim é, de uma forma positiva podemos mudar o dia de uma pessoa através de um simples gesto ou palavra. A vida foi-me mostrando que, para além das palavras em si, o modo como o dizemos é também muito importante. Personalidades e feitios aparte, uma certa dose de impulsividade é fruto de uma tenra idade e de algumas características pessoais que se podem, ou não, vir a desenvolver, e nos permite fazer mais disparates e não pensar no que dizemos. O gesto, o tom, o modo, fazem com que a mensagem que passamos seja bem recebida pelo outro, ao invés de se tornar fruto de uma discussão ou até de um desgosto. Para além disso, é também importante termos noção dos melhores momentos para abordar qualquer assunto. Saber reconhecer a melhor altura para conversar sobre qualquer assunto, evitando um momento em que o nosso interlocutor esteja mais nervoso, ou simplesmente ocupado com alguma questão é muito importante para sermos bem sucedidos. Se queremos construir relações à nossa volta saudáveis e harmoniosas, devemos procurar perceber quem temos do outro lado e cuidar das palavras e a forma como as empregamos numa conversa.
Para mim, palavras certas são aquelas que tocam o coração das pessoas, que exprimem verdade e doçura. São aquelas que são ditas com serenidade e amor. Que trazem atitudes benéficas e positivas tanto para nó, como para os outros.
Depois de tantas palavras escritas para falar sobre a imensidão subjacente à comunicação, deixo um desafio: que tal refletirmos no modo como nos expressamos habitualmente? Utilizamos palavras positivas ou negativas? Como é que as pessoas reagem ao que dizemos?

E como há imagens que alem mais que mil palavras, deixo-vos com um vídeo.
Vale a pena pensar nisto.


 

FM

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Tempo de parar...



Depois de uma longa temporada de trabalho, de um ano cheio de mudanças positivas e que me direccionam rumo aos meus sonhos mais profundos, é tempo de Parar. Tempo de Refletir. Tempo de Relaxar. 

Porque a vida é um conjunto de tudo que nos lança num mundo infinito de possibilidades, porque é importante saber parar para ganhar forças e para chegar ainda mais longe, vou aproveitar uns belos dias de descanso para brevemente recomeçar em grande, novos projetos, novos sonhos e continuar a fazer o que mais gosto: ajudar os outros (assim como a mim mesma) a serem FELIZES.

Bom descanso. Aproveitem o momento presente. Sintam o calor na pele. Despertem os sentidos e acima de tudo, descubram-se a si mesmos!

Porque  tempo voa e eu tenho as emoções à flor da pele,

Até breve!
FM


Pontas soltas





Existem no mundo fios invisíveis que ligam todos aqueles que estão destinados a se encontrar. Obra do destino, querer, coincidência ou não, acredito profundamente que as pessoas passam na nossa vida com algum motivo, percetível ou não no imediato, mas que, mais tarde ou mais cedo, acabamos por entender.
E assim a vida se constrói através de descobertas, de laços imaginários, e tudo se vai encaixando até o puzzle se completar e tudo fazer sentido. E assim acabamos por crescer e evoluir como seres humanos, se quisermos, pois o maior motor do mundo é a vontade. E há pessoas que não crescem nem mudam, não por falta de capacidade, mas sim de vontade. 
De facto, não há nada mais difícil neste mundo para falar como as relações humanas, isto é relações entre pessoas com quem nos cruzamos, partilhamos ideias, emitimos opiniões ou breves sorrisos, pessoas com quem nos divertimos, sonhamos, empreendemos, ou sei lá… um sem número de verbos sobre os quais me perderia a escrever nesta folha, se por aqui diante continuasse. 
Existem relações amorosas, amistosas, profissionais, associativas, familiares, sociais, relações alegres, monótonas, cheias de amor, cheias de nostalgia, pintadas de memórias, e outras de histórias que nunca mais acabam, enfim, um sem número de pessoas e relações que crescem e que dão vida aos nossos dias até ao dia em que o sol se puser e não mais voltar.
Mas, o que é isto de estar em relação?
Estar em relação significa estar em contacto, num sentido de totalidade consigo e com os outros. Acredito que quando escrevo a palavra “relação” a maior parte das pessoas pense de imediato numa ligação com outras pessoas, quaisquer que essas pessoas sejam, e esquece-se que antes de estarmos em relação com os outros, temos obrigatoriamente de estar em relação connosco mesmos. 
Será que estamos?
Será que pensamos nisto, com tudo o que isto significa? 
Estar ligado a nós implica conhecer-nos, e pensar verdadeiramente nos nossos desejos e motivações mais intrínsecas. E depois disto, agir em consonância com isto mesmo.  
Estar em consonância é estar em harmonia.
Como podemos querer estar em paz com o resto, se por vezes os maiores conflitos partem de dentro de nós? As guerras interiores causam mais inquietação que os conflitos que podemos ter com os outros.
Como podemos exigir dos outros respeito, se na maior parte das vezes não nos respeitamos? Nem a nós, nem às nossas vontades, desejos, aspirações e até a nossa própria identidade, ficando à mercê do que os outros esperam de nós. 
Como é que podemos querer que alguém nos aceite se nós próprios não nos aceitamos inteiramente, com todas as nossas características que nos estão inerentes? Quando falo de características, falo de traços físicos, de personalidade, estrato social e económico, ou seja, tudo o que nos carateriza, mas que ao mesmo tempo não nos rotula pois somos sempre maiores do que aquilo que temos.
Como é que podemos querer que alguém nos ame, se não nos amamos na nossa plenitude? E o que é isto de amar plenamente? É amar de forma incondicional, aceitando todas as nossas falhas e conquistas, vitórias e derrotas, tudo o que fazemos de bem, e menos bem, congratulando-nos dos pequenos passos e refletindo sobre aquilo que podemos melhorar. Somos muitas vezes os juízes mais duros das nossas ações, carregamos nos ombros dores eternas, castigos tão pesados que fazem a nossa vida livre, numa prisão.
Como podemos querer que as pessoas nos aceitem, se somos os primeiros a revoltarmo-nos com a nossa vida e a pôr de parte ou ocultar o nosso lado mais lunar?



Um dos meus autores favoritos, Oscar Wilde, disse um dia que “amar a si mesmo é o começo de um romance que vai durar a vida inteira”.

 

Acho que a maior conquista da vida é a leveza, o perdão interior, e aquele aconchego que nos damos nos momentos mais difíceis. E quantas vezes procuramos isto nas outras pessoas, ou nas outras coisas, descurando o maior amor do mundo: o amor-próprio, que transcende qualquer egoísmo ou forma individual de estar. Porque antes de existirmos com os outros, existimos em nós. E se não estivermos consonantes com o que somos verdadeiramente, vivemos em coma profundo, um estado vegetativo, com ausência da melhor relação do mundo e que influencia todas as outras: aquela que temos em nós.
Estas são pontas soltas das quais me venho aperceber ao longo da vida e que eu mesma tento mudar a cada dia que passa. Pontas aparentemente soltas e desprovidas de significado que que vou tendo à frente dos meus olhos, ou que descobri como que por mero acaso. Hoje sei que ás vezes as preocupações com as nossas rotinas e obrigações profissionais não nos permitem olhar para dentro. Ou não nos permitem, ou não nos apetece. Olhar para dentro de nós não é fácil. Viajar dentro de nós mesmos dá trabalho. Muito trabalho Mas ao mesmo tempo, é a viagem mais maravilhosa que cada ser humano pode fazer.
Confrontarmo-nos com a nossa verdade interior é extraordinário, mas ao mesmo tempo assustador. Por isso, passamos a vida a fugir de nós mesmos como o diabo foge da cruz. E assim passamos dias a fio a fazer as mesmas coisas, como que seres autómatos que apenas reagem ao mundo e à vida que o rodeia. Somos muitas vezes marionetas nas mãos de um destino que é tudo menos nosso, fruto de um acaso que alguém escolheu para nós, a aceitamos isso como um toque mágico celestial, que polvilhou as nossas vidas, cheio de coisas que até nem pedimos. E depois queixamo-nos!
Queixamo-nos de um trabalho que não nos realiza.
Queixamo-nos dos filhos, que nos aborrecem com as suas necessidades.
Queixamo-nos do tempo, que não sobra para fazermos coisas tão simples como ir ao ginásio, ou ler um livro numa esplanada de forma relaxada.
Queixamo-nos de um parceiro que não consegue perceber o que precisamos.
Queixamo-nos da falta de momentos agradáveis com os nossos amigos e familiares. Queixamo-nos de um passado que carregamos às costas e não nos deixa viver o presente. Queixamo-nos de tudo, e ao mesmo tempo de nada.
E esquecemo-nos que quando viemos ao mundo, fomos gracejados com a maior bênção que existe à face da terra: o livre arbítrio e a capacidade para pensar, que nos distingue de todos os animais da terra. Que nos permite fazer escolhas, e seguir o caminho que nos dá mais prazer.
É quando olhamos para dentro de nós mesmos que descobrimos a caixa de Pandora mais preciosa. Aquela que carrega os nossos maiores tesouros. Vontades e aspirações, necessidades que ocultamos por conveniência de outros e por vezes de nós mesmos.
Olhar para dentro, é estar em consonância connosco, e implica ouvir a nossa voz interior e perceber o que ela nos diz. Não há nada mais perigoso no mundo que calarmo-nos a nossa, para ouvir a dos outros. Por vezes, mostrar o que se sente não é fácil, implica desacordos com outros, e enfrentar touros e fantasmas que estavam enterrados faz muito tempo. Mas ninguém nos disse que a vida era fácil... apenas podemos estar certos que pode valer muito a pena.
Quanto gostamos de nós?
Vamos colocar o nosso amorómetro no máximo?

Vale a pena pensar nisto.

FM






quinta-feira, 31 de julho de 2014

Redefinir a rota


Qualquer altura é boa para pensarmos no nosso percurso, na nossa vida pessoal e profissional, no entanto há duas fases no ano que são excelentes para balancear a vida, traçar objetivos, pensar no que foi feito e no que ainda poderemos fazer. Excelentes pelo que simbolizam e por aquilo que nos transmitem: o término de uma época e o início de outra. Estas fases são o final do ano, quando um ano dá lugar a outro, e a altura das férias de verão, em que basicamente depois de um ano inteiro a laborar, temos um período mais longo de descanso, e em que recuperamos energias e ficamos aptos para mais um longo período a trabalhar. Em setembro por norma regressamos sempre com energias redobradas e com a certeza que mais um ano nos espera até que as férias cheguem novamente.
Balanceando ou não a nossa vida, o que os estudos demonstram é que as pessoas mais bem-sucedidas são mais focadas, e definem um caminho e traçam objetivos para lá chegar, e vão monitorizando aquilo que vão atingindo e redefinindo, se for o caso, novas metas, e novas formas para o conseguir.
Passamos mais de um terço da nossa vida no trabalho. Será que as atividades que fazemos no dia-a-dia nos fazem feliz e nos dão prazer? Ou pelo contrário arrastamo-nos nas atividades que temos de fazer por obrigação?
Outro terço da nossa vida é passado a dormir. Será que quando nos deitamos, temos ao lado um parceiro que nos faz sentir realizados, mimados e confortáveis, ou pelo contrário deixamos andar uma relação apenas porque não temos a coragem de seguir a nossa vida sozinhos?
O resto da nossa vida é passado com atividades que temos de fazer e que fazem parte da rotina de cada um de nós e outras que vamos ocupando porque nos fazem bem. Há quanto tempo não fazemos algo pela primeira vez? Há quanto tempo não olhamos para nós e percebemos o que nos faz falta e o que temos de quebrar para dar lugar a coisas novas e diferentes?
São muitos os aspetos nos quais podemos de refletir. A vida tem um mundo de oportunidades. Temos é de parar para saber o queremos ou não fazer.
Aproveitemos então esta altura do ano para reorientarmos os nossos desejos e aspirações, e redefinirmos a nossa rota.
Aproveitemos esta fase para pensar no que fizemos de bem a nível profissional, e no que poderíamos ter feito melhor, nas competências que adquirimos ao longo do último ano de trabalho, e naquelas que poderemos vir a alcançar para melhorar o nosso desempenho e até a nossa postura.
Aproveitemos esta fase para pensar nas pessoas que são de facto importantes para nós e que, pelos mais diversos motivos, deixamos passar os dias sem lhes dizer que gostamos delas.
Aproveitemos este tempo, para cuidar de nós e de tudo o que fazemos.
Reforcemos o nosso otimismo.
Acreditarmos em nós e naquilo que somos capazes, é meio caminho andado para nos mantermos motivados e felizes.
Vamos regressar de férias com a bagagem mais leve de preocupações.
Se todas as fases são boas para pensarmos em nós e melhorarmos, esta é a fase ideal para nos reorganizarmos, para analisarmos se estamos no caminho certo.Mas antes de tudo, esta é a fase de pensarmos onde queremos estar, por exemplo, no final do ano. E não nos esqueçamos da velha máxima de Lewis Carroll no livro da Alice no País das Maravilhas: “para quem não sabe para onde quer ir qualquer caminho serve”.

Será que sabemos o nosso?
Vale a pena pensar nisto.

FM

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Estreitar laços


 

 




Falar sobre a amizade, é falar sobre algo intocável, inexplicável, que sentimos dentro de nós como algodão doce, saboroso, colorido, e que se desfaz na boca e no coração sempre que o digerimos, e nos dá vontade de querer mais, mais e mais.
Falar sobre amizade é sussurrar uma melodia alegre com todas as notas musicais, pois tal como cada nota, cada ser humano é completamente diferente em si mesmo, e são estas diferenças que compõem o ritmo da música. É algo que não conseguimos ver, tocar explicar, traduzir em palavras porque, como qualquer sentimento, ultrapassa qualquer definição.
Se genericamente temos a tendência de nos aproximarmos de pessoas mais semelhantes a nós seja pelos gostos, estilo de vida ou até mesmo de vestir, a capacidade de amar alguém desta forma tão simples não tem idade, género, raça ou qualquer tipo de categorização. E é algo inato, que se manifesta à partida deste a infância e que permanece até que um dia a vida nos leve.
Para mim a amizade é um amor sem paixão, sem aquela vontade louca e desenfreada de tocar. Mas acima de tudo, num sentido mais lato a amizade também é amor. E um amor verdadeiro não existe sem amizade. Pois nesta definição cabe todo um bem-querer, uma presença constante, mesmo que não estejamos sempre com aquela pessoa.

Talvez por ter os sentimentos à flor da pele, tudo o que me vai no coração cai em mim como um raio de sol, e aquece-me a alma mesmo nos dias mais nublados. Quando gosto, gosto mesmo e sinto uma vontade imensa de o expressar, iluminando os dias de quem de uma forma ou outra está mais perto de mim.
Ao longo da nossa vida, são inúmeras as pessoas com quem nos cruzamos. Algumas delas permanecem mais tempo, outras apenas breves instantes. Há pessoas até com quem não temos uma ligação muito extensa no tempo, mas que nos tocam a alma como se tivessem umas mãos mágicas. São pessoas com as quais sentimos uma ligação forte, um carinho especial, uma vontade de sorrir, de ajudar, de bem-querer, algo que ultrapassa até os limites da nossa própria existência pois se nos pedissem para transmitir o que de facto sentimos por aquela pessoa, não saberíamos definir. E isto manifesta-se através de um olhar, de uma palavra, pequenos gestos que fazem a diferença em determinados momentos. Será isto amizade?
Talvez sim. Ou seja talvez apenas um gostar doce e suave, pois aquilo que acontece se encaixa no que nós somos no momento na perfeição. Mais forte ou mais ténue, acredito que uma relação de amizade pode permanecer perene no tempo, muito para além de qualquer espaço físico, mas que antes de qualquer coisa deve ser cuidada, tal e qual uma flor num vaso que não precisa de muita coisa, apenas de água para se manter viva. E o que é a água para as relações? A água é a compreensão, a disponibilidade, a entrega, o respeito, a atenção, a preocupação, mesmo que não sejam manifestados todos os dias até porque, de facto, a vida profissional e as preocupações quotidianas não nos permitem estar presentes com muita regularidade.
Dizem que sou uma pessoa exigente nas minhas relações. Talvez sim, talvez não. Tudo depende da forma como se veem as coisas. O que sei é que a minha intensidade não me permite ser uma pessoa “mais ou menos” e ter amizades “mais ou menos”, pois coisas “mais ou menos” são coisas amorfas, cinzentas, sem cor, sem cheiro, e que não sabemos muito bem a que sabe.
Para além disso acredito que, tal como o nosso corpo que vai crescendo e mudando à medida que os anos passam e ficando imune às doenças que por ele passam, também o conceito interno que temos acerca das relações muda. E vamos ficando imunes a pequenas coisas que em algum momento da nossa vida nos incomodaram e que hoje, pela maturidade já não valorizamos.
Dou por mim a pensar muitas vezes em pessoas que estiveram muito presentes em determinadas fases da minha vida, mas que, por um motivo ou por outro, a vida fez com que estivéssemos mais distantes. Motivos pessoais, profissionais ou até mesmo relacionais, sem que existisse motivos maiores para chatices, lembro-me muitas vezes de pessoas especiais com quem me cruzei e que agora não fazem parte do meu dia-a-dia com a mesma frequência com que já o foram.
Por isso, hoje, o dia internacional da amizade, a minha ode vai para todas aquelas pessoas com quem já ri, brinquei, sonhei, e chorei, pessoas com quem fiz juras de amizade eternas, pessoas que me fizeram bem, outras menos bem, isso não importa agora. No fundo, pessoas maravilhosas que deixaram um pouco de si, e levaram um pouco de mim. Pessoas às quais estou eternamente grata pelo que me partilharam e pelo que me ensinaram.
Acho que, se em determinados momentos estive perto de pessoas que me deixaram mais triste por um motivo qualquer, hoje sei que a vida é feita dessas coisas. Como seres humanos, não somos perfeitos, por mais aspirações que tenhamos da perfeição, todos esses momentos fizeram parte do meu crescimento e me ajudaram a ser a mulher que eu sou hoje, acima de tudo amiga de quem, mais perto ou mais longe, faz parte do meu dia-a-dia.
Hoje, no dia internacional da amizade deixo um desafio: que tal pegar no telefone e dizer a alguém especial na nossa vida que é importante para nós?
Cuidemos do nosso jardim. Não tenho dúvida que os nossos amigos dão mais cor aos nossos dias. Muitas vezes, deixamos passar o tempo e com ele fica por dizer tudo o que temos cá dentro. Cuidemos do que é importante, tal como cuidamos de nós. São estas pequenas grandes coisas de que nos esquecemos com facilidade e que estreitam os nossos laços…
Vale a pena pensar nisto.

FM

terça-feira, 20 de maio de 2014

Encontrar a esperança




Existe algo em nós que não sabemos explicar. Não pode ser materializado, apenas sentido. É como um combustível da alma, que nos faz ir em direção ao que mais sonhamos, e que nos permite insistir, persistir e resistir a todas as adversidades, sejam lá elas quais forem. Há quem chame teimosia. Eu chamo de fé, de esperança. E é uma coisa bem diferente do estar por estar, do estar por mero capricho e insensatez.
Foi por fé, por esperança, por acreditar que podíamos ser felizes juntos, com todo o meu coração, que estive ao teu lado. Amava-te a cada dia, como um compositor ama a sua melodia.
Fé. Era a fé que me alimentava a cada manhã, e a cada anoitecer quando me afastavas de ti. E foram tantas as vezes…
Fé. Quando pronuncio esta palavra, fico com os meus olhos húmidos. Fico alagada em sorrisos que perdi ao longo do tempo, porque mos roubaste. E ficarás com eles. Serão para sempre teus. Pois era por ti que sorria muitas vezes, porque a vida para mim durante esse tempo não foi fácil. E tu sabes bem porquê. Sim, tu sabes.
Tenho em mim um fio diretamente ligado da minha boca, ao meu coração e que me faz pensar com amor, e sentir com amor, e ficar emocionada com pequenas grandes coisas, que me alimentam e que me conduzem em direção àquilo em que acredito.
E em relação a ti, eu acreditei tanto, sonhei tanto… tanto tanto, que perdi a conta às vezes em que ficava parada em frente ao mar, a imaginar o dia em que eu me iria sentir verdadeiramente tua. Entregue apenas ao sentimento que fui construindo. .
E que apagaste, dizes tu, sem que te desses conta.

Será que não deste?
Será que não sabias?
Será que não me vias?

As respostas hoje tenho-as em mim. São sim e não.
E logo Eu. Que nunca gostei de indefinições, tu sabes. Melhor saber o que é ou não é do que viver amarrada a cinzentos e coisas amorfas. Sou assim. Mulher definida e completa em toda a sua existência. Em tudo o que faço. Em tudo mesmo tudo, mesmo quando me zangava. Lembras-te?

Tu não me vias. Tu não me lias.

Estavas de tal modo centrado em ti próprio, tão centrado naquilo que precisavas e desejavas, que te esquecias de mim. Esquecias que eu era uma parte de ti, porque te fazia feliz, e tu nem sequer paravas para pensar nisso. O brilho que eu tinha e mantenho ainda hoje apesar de toda a escuridão que me assombrou desde o dia em que me fui embora, tu admiravas tanto, que precisavas de o ter em ti, só para ti, e por isso não gostavas quando eu brilhava para os outros. Eu sei. Sei que o teu medo era proporcional ao amor que tinhas por mim. Assim como era imenso o labirinto que te fazia perder dentro de ti mesmo, e que te levava para longe de mim e até para longe de ti mesmo. Perdeste-te na tua imensidão. Nunca foste capaz de ver para além da tua verdade. Ou da minha. Não sabias que por muita luz que emanasse para os outros, era por ti que brilhava. Era por ti que existia.
E isto era tão bonito…
Não era um amor qualquer, vulgar, como desses que existem por aí. Era meu. Era teu. E será para todo o sempre nosso.

Hoje quando penso em ti, vejo duas pessoas. Uma que esteve presente, e outra que não sei a cor do coração nem de que material é feita. Hoje dou por mim a pensar que não te conheci verdadeiramente. Talvez apenas sentisse a tua sombra. E por isso, me sentia muitas vezes vazia, enrolada em mim mesma, e sem saber o que fazer para chegar a ti. Tu não deixavas.
Eras estável na tua instabilidade.
Tiravas-me o chão, para te sentires seguro. Fazias-me perder, para que te encontrasses a ti mesmo. E assim, nos perdiamos os dois. E nunca mais nos encontravamos.

O meu amor por ti foi intemporal, perene, doce, divertido. O teu por mim era romântico, doido, exigente, carente. Aproximávamo-nos nas diferenças. Eram estas que nos uniam.
Dia após dia, permanecia em mim e em nós, mesmo depois de tudo o que acontecia. Agarrada a uma fé que era apenas minha. Hoje sei que tudo fiz foi tudo o que consegui, que não há outra versão de mim melhor para ti. Fiz o melhor que pude, com tudo o que pude, para que me entendesses.
Até que me calei. E quebrei. Gelei.

Será que tudo muda assim de um dia para o outro?
Será que tu não te apercebias do que fazias?
Será que sabes?

Hoje tenho a certeza que não. Não foi de um dia para o outro. Nós sabemos que não.
Fui morrendo a cada dia que passava. E Tu nada fizeste para me salvar. Porque sempre foste para ti mais importante que Nós. Assim como o resto do mundo era. 
Mais importante que Eu, está a imagem que o resto do mundo pode ter sobre ti. Ainda hoje é assim.
Procuras que o mundo te salve, sem que tu te salves a ti mesmo.

E o amor... o amor é mais do que meras palavras que não te cansas de definir de forma vaga. Talvez porque para ti, seja melhor a imensidão da subjetividade, do que a realidade de uma existência real, livre, leve e solta. E vivida.
Porque amor é feito para subsistir para além de nós mesmos. Além de todas as nossas necessidades. Além de todas as palavras. O amor não vive de palavras. Vive de gestos, de atitudes reais e verdadeiras. Se não não é amor. 
Por isso me cansei de tentar mostrar e explicar o que o meu coração sentia e vivia, indefinidamente. 
Pois as palavras não bastam, quando o que pretendemos dizer transcende a própria realidade a até nós mesmos.
Pois de nada servem as palavras, quando alguém solta os sentidos, e não as quer ouvir. 
E é aqui que o silêncio muitas vezes se torna na mais perfeita resposta. Pois nele fica tudo o que não foi dito. Tudo o que sonhamos e esperamos.

Hoje eu sei que às vezes perdemos a esperança daquilo em que acreditamos dias a fio que pudesse ser diferente. Porque nunca foi. Porque sonhamos em vão. Porque nos retiraram tanto quanto o que tínhamos um dia: a fé e a esperança que tudo iria mudar. Iria… futuro de um pretérito condicional simples, cuja condição nunca se realizou, apesar de todas as minhas preces e pedidos de ajuda a um Deus que não se envolve nestas coisas.
E ainda bem. Temos o livre arbítrio. O poder da escolha. O poder de decidirmos o que fazer, mesmo quando nos sintamos perdidos e não saber que caminho escolher. Porque o coração nos diz uma coisa, e a cabeça outra.
Porque há uma altura na vida em que ou nos lançamos no abismo, ou começamos tudo de novo. 
E eu mudei a rota. Decidi ir por um outro caminho às escuras. Sem saber aonde me vai levar. E se algum dia nos iremos encontrar de novo. 
Agarro-me à esperança, sem nunca mais a soltar.


FM